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Chuvas, acervo e patrimônio histórico

Eduardo Carlos Pereira | 08/02/2020 | 05:10

As chuvas que estão provocando deslizamentos, enchentes, quedas de árvores e já contabilizam 55 mortes em Minas Gerais estão deixando a Defesa Civil em alerta, e os gestores de patrimônios históricos de “cabelos em pé” diante da ameaça aos bens culturais.

Técnicos e conselhos sabem que ações não realizadas colocam em risco patrimônios não conservados, podendo levar ao desmoronamento e ruína. Aqui não é diferente: na Fepasa, há anos os edifícios estão encharcados e aguardam verbas da Justiça Federal para que aconteçam as obras emergenciais e estabilizações.

Em processos burocráticos de aprovações, de contas e de projetos, o edifício fica comprometido cada vez mais. O que fazer com os acervos dentro desses espaços que estão desprotegidos da umidade?

O seminário “acervos de arquitetura e urbanismo” discutiu essas questões: ele aconteceu quinta-feira, no Itaú Cultural, com realização do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil. Todas as 70 vagas foram preenchidas em uma hora e as esperas ultrapassaram as 70 pessoas que já tinham garantido sua participação. Esse interesse demonstra a falta de informação disponível nessa área.

Para que conservar os acervos? Como estão sendo conservados? São questões complexas que exigem cuidados permanentes com procedimentos técnicos que precisam ser difundidos e aplicados. Foi abordado neste seminário a dispersão de acervos, conservação de papéis, projetos e digitalização de documentos. Na FAU/USP são 100.000 itens conservados com todos os encaminhamentos técnicos, acadêmicos e científicos. Os participantes – sob forte chuva, mas muito bem abrigados – não falaram sobre as ameaças dos documentos dessa, que é a maior ameaça aos arquivos: a umidade.

Anna Carboncinne, Diretora do Instituto Bardi, ressaltou que, na Casa de Vidro, a prática e a experiência realizadas incluem o controle de umidade por desumidificantes. Tudo está perfeito e sistematizado. São 6.800 desenhos digitalizados que estão disponíveis no site do instituto, tornando sua conservação mais eficiente, por não manipular os documentos. O que se pode afirmar é que a digitalização é o melhor meio de preservação de documentos. Não serão mais manipulados e não precisarão mais ter a mesma frequência de conservação.

Outro exemplo é o do arquivo de projetos urbanos da Prefeitura de Jundiaí, com dedicação dos sucessivos funcionários que passaram e que permanece íntegro, bem conservado, disponível e em uso, mesmo sem os aparatos de um acervo com condições técnicas de controle de umidade.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista.


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/chuvas-acervo-e-patrimonio-historico/
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