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Coluna do Martinelli: A celebração do Natal nos convida à conversão

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 23/12/2018 | 05:06

Há mais de dois mil anos, com o Natal de Jesus Cristo, a humanidade viu brotar a solidariedade entre os homens e a esperança de um mundo melhor. Deus realizou seu desígnio de misericórdia enviando seu próprio Filho para nos salvar e graças a Sua encarnação, obtivemos a certeza da vitória sobre o pecado e sobre a morte. Consolidaram-se a paz, a justiça e a fraternidade como propósitos a serem permanentemente vivenciados.
Talvez por isso, em quase todas as partes do mundo, constitui-se na festa de maior repercussão e envolvimento das pessoas que não deixam de celebrá-la, quer por seu sentido religioso, quer por seu significado social, sendo neste segundo contexto, bastante reforçada por inúmeros apelos publicitários que infelizmente a cerca nos últimos tempos.
Mais do que nunca, no entanto, a sua celebração necessita ser assumida essencialmente naquilo que lhe é peculiar, ou seja, na força do amor que o Cristo, filho de Deus encarnado, trouxe a Terra. Convida-nos à conversão, que traduz sair de nós, das nossas comodidades e ambições, para colocar-nos na trilha dos desamparados, oprimidos e perseguidos. Desperta à partilha, à convivência pacífica e ao respeito ao próximo.
Assim, a celebração litúrgica do Natal se revela num momento especial para renovarmos nossa fé e descobrirmos a dignidade de cada pessoa, mesmo porque, nascendo entre nós, Jesus nos mostrou seu desejo de entrar em comunhão conosco para mostrar que todos podem e devem igualmente satisfazer seus direitos e aspirações fundamentais.
Enquanto nossa sociedade se caracterizar pela ganância, pelo egoísmo e pelo poder, os conflitos entre as pessoas tenderão a persistir e a esperança, a diminuir, construindo-se relações embasadas na dúvida, no medo e até no terror. São inúmeros os acontecimentos e os comportamentos que demonstram o desvirtuamento dos valores e a prevalência da desigualdade social, propulsores de um triste e desolador quadro de manifestas injustiças. E diante de uma cultura consumista, na qual o SER é absolutamente sobreposto pelo TER, geram-se manifestações de desânimo e derrotismo daqueles que ainda sonham, buscam e lutam pelo bem comum, felizmente afastadas pelo empenho na concretização de seus ideais.
Desta forma, o sentido mais profundo do Natal precisa ser consolidado no pensamento e no coração das pessoas: extinguir a marginalidade e a exclusão com a certeza de que a paz, a liberdade e a verdade são possíveis; que o ser humano é o valor máximo a ser respeitado, resgatado e conduzido à felicidade, devolvendo a todos o direito de viver e de participar dos bens de Deus.
Aos leitores, nossos votos de uma festa natalina santa e reflexiva!

*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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