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Coluna do Martinelli: A participação política e social é dever de todos

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 07/10/2018 | 06:01

Apesar de polarizadas, nas eleições desse domingo e a exemplo de todo o país, muita gente em Jundiaí se mostra desanimada, pensando em votar em branco, anular o voto ou até mesmo em não comparecer as seções eleitorais. Evidentemente o regime democrático possibilita e permite demonstrações de contrariedade com a situação brasileira atual e uma das formas é a de se abster totalmente da participação no pleito eleitoral. No entanto, precisamos refletir se essa omissão realmente atende à necessidade de aperfeiçoamento do sistema de representação ou se só piora o já desgastado momento pelo qual passamos nessa importante área.

A política se constitui no palco e na arte do poder e este no Brasil é conferido pelo povo através do voto, daí a responsabilidade de todos, que não podem fazê-lo objeto de barganha ou de compra e venda; nem dá-lo a pessoas erradas, atuando ainda que indiretamente com eles nos jogos de interesses, muitos desonestos; nem invalidá-lo, o que significaria fortalecer o triste quadro que hoje vigora.

Reitere-se que, quanto menor politicamente for a modernidade de uma sociedade, maior é o nível de contaminação da atividade representativa por grupos que visam ganhos espúrios. Nesta trilha, não há espaços para o conformismo e principalmente a aceitação pura e simples das investidas contra o patrimônio da população que precisa de melhor utilização na edificação de uma Nação mais justa, com o desenvolvimento dos seus cidadãos na procura da plenitude da vida. Ao contrário, a participação política deve ser permanente, antes e depois da apuração.

Por outro lado, nossos problemas tendem a se agravar enquanto a infância e os cidadãos, suas vontades e necessidades forem tratados com descaso, esquecimento e cumplicidade da sociedade contemporânea. Nesta trilha, por ocasião das datas que homenageiam as crianças (doze de outubro) e os professores (quinze de outubro), reflitamos sobre a ausência de incentivos à educação. Tal aspecto gera um processo falho e imperfeito, deixando de se formarem coerentemente crianças e jovens, constrangendo-os no futuro a viverem privados de uma visão crítica, permanecendo alienados e massificados, contrariando frontalmente direitos fundamentais básicos.

Ao dificultar as condições dos profissionais do ensino, o Poder Público prejudica a formação em geral, impedindo o acesso a uma instrução de qualidade, o que significa escravizar o adulto de amanhã, aprisionando-o aos grilhões da ignorância, atentando diretamente contra a sua dignidade humana. Vítimas da indiferença e da insensatez de nossas autoridades, eles mantém o inquestionável papel de guardiões da ética, valor que os dignifica para exercerem o ofício de zelar pela integridade da consciência humana, apesar dos inúmeros obstáculos que lhe são impostos em nosso país.

Para os católicos há outra celebração, o DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA, Padroeira do Brasil a 12 de outubro indicando a importância de reverenciarmos os valores cristãos, humanos e familiares, sem os quais é impossível construir uma sociedade fraterna e solidária, capaz de operar as necessárias transformações comunitárias. E invocando o poema de Casimiro de Abreu, retratando a relevância do período da infância na vida de cada cidadão, podemos dizer: “Oh! Que saudades que tenho/ da aurora da minha vida/ da minha infância querida/ que os anos não trazem mais”.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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