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COLUNA DO MARTINELLI: Comemora-se a 27 de março o Dia Nacional do Circo.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 24/03/2019 | 05:01

Quando era garoto, comumente se montavam circos num campo onde hoje é a praça na qual está instalado o Centro de Saúde no bairro do Vianelo. Os meus colegas e eu adorávamos passar horas vendo o movimento e a rotina dos trabalhadores e artistas, inclusive alguns ensaios por debaixo da lona. Assistir aos espetáculos era uma grande realização. Inúmeras atrações provocavam risos e suspiros, desde as peripécias de palhaços, até a exibição de trapezistas, que nos deixavam atônitos com suas acrobacias. Era um clima de alegria e de expectativa em torno das surpresas preparadas em cada apresentação, também com números de malabarismo, monociclo, contorcionismo, equilibrismo, ilusionismo, entre outros.
Depois de iniciar minhas atividades como jornalista, cobri a vinda de diversas companhias para Jundiaí, entre as quais, o Circo Orlando Orfei e o Circo Garcia. Ao entrevistar alguns de seus integrantes e proprietários, pude relatar aos leitores inúmeras histórias de vida, dedicação e amor à arte circense que é bastante antiga – tem cerca de quatro mil anos. E constatei a sua importância na vida de adultos, crianças e idosos, e principalmente o seu alto valor sócio-cultural.
Indica-se com razão que o circo é um dos mais importantes veículos da produção artística no Brasil. Até a década de 50 e 60, somente ele conseguia chegar a todos os municípios do país, por isso, conforme disposição do Ministério da Cultura se revela numa forma de expressão fundamental na formação cultural de nosso povo, por conta de sua itinerância e sua capacidade de influência em todo o território.
Infelizmente, com o decorrer do tempo, o poderoso domínio, inicialmente do cinema e depois da televisão e da internet, bem como o consumismo desenfreado que impera nas relações humanas e os avanços tecnológicos, fez com que ele fosse perdendo a força entre as pessoas. E hoje sobrevive em função de uns poucos abnegados, de montagens mais modernas, misturando personagens já conhecidos ou dos Circos Escolas e trupes que optam continuar enfrentando os obstáculos, que vão desde a dificuldade para encontrar um terreno para se instalarem, até o sofrimento para atrair público.
Por isso a data de 27 de março é manifestamente relevante, pois se comemora o Dia Nacional do Circo, homenagem ao palhaço Piolin, Abelardo Pinto, que nasceu nessa data no ano de 1897, em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. Destacando-se por sua enorme criatividade cômica e pela habilidade como ginasta e equilibrista, comandou seu próprio grupo por mais de trinta anos.
No início da carreira chegou a fazer shows beneficentes, junto com artistas espanhóis, que lhe deram o apelido de Piolim, que significa barbante, devido às pernas compridas e também por sua magreza. Engajado com diversos movimentos sociais foi reverenciado pelos intelectuais da Semana de Arte Moderna (Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati, e outros) em 1922, como o “maior artista popular brasileiro”.
Em homenagem a esse fenomenal ser humano e a toda doçura, magia e sonho propiciados pela arte circense, os votos de que o circo ainda viva muito tempo, vencendo suas dificuldades, ganhando maior apoio oficial e restabelecendo seu prestígio popular, para que o encanto de que se reveste possa alcançar novas e inúmeras gerações. E em nome de um entretenimento sadio só teríamos a agradecer e aplaudir.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Atualmente é presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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