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Coluna do Martinelli: Dia de Ação de Graças objetiva divulgar a importância da gratidão

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 19/11/2018 | 05:00

Gratidão é um reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa ação; um auxílio, em favor de outra; é querer agradecer alguém por nos ter feito algo de benéfico. Por outro lado, uma das características mais importantes da fé cristã é o reconhecimento divino. Vários versículos da Bíblia falam sobre a importância de ser grato, principalmente para aqueles que alcançam algumas graças.

Visando ressaltar a importância desse sentimento, celebra-se em nosso país de forma ecumênica, na quarta quinta-feira do mês de novembro, dia 22 de novembro próximo, o DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS, que se originou da “Thanksgiving Day”, uma tradicional festa americana criada por um grupo de colonizadores ingleses que chegou a Plymout, Massachussets, nos Estados Unidos, no outono de 1620. Após terem passado fome e frio e pelo fato de sobreviverem em nova terra, os imigrantes organizaram um jantar em agradecimento a Deus, convidando alguns índios com os quais mantiveram relacionamento amistoso para participarem do evento.

Tal confraternização iniciou essa comemoração, tendo os nativos levados perus selvagens, razão da existência de alguns pratos típicos até hoje servidos nesta data: salada de verduras cruas e sopa de abóbora, sendo o prato principal, o peru recheado e uma farofa preparada com o molho de cozimento da ave, acompanhada de pão de milho, ovos, cebola, aipo e um preparado especial feito com uma frutinha parecida com amora, o “cramberry sauce”.

Mais do que o Natal, ele é o grande feriado de congraçamento dos EUA, ocasião em que os filhos que moram longe voltam para casa para estar com os pais e os aeroportos batem recordes de movimento. Há um desfile tradicional em Nova York, promovido por uma grande loja de magazine que traz personagens conhecidos em grandes balões e inaugura o período de festejos de final de ano. Tanto que após o seu encerramento, inicia-se a decoração natalina em todo o país.

No Brasil foi instituído a 16 de agosto de 1949 pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra por inspiração do diplomata brasileiro Joaquim Nabuco. Assistindo com o corpo diplomático à missa de ação de graças na Catedral de São Patrício, em Washington em 1909, fez um apelo profético:- “Eu quisera que toda a humanidade se unisse anualmente, num mesmo dia, para um agradecimento universal a Deus”. E assim, um dia especial no ano, reservado a dar graças, acabou demonstrando não só a necessidade de retribuir continuamente ao Senhor da Vida, mas também se revelou num convite para se cultivar o sentimento de gratidão no relacionamento fraterno, alcançando apoio geral e sendo destacado por diversas religiões.

No entanto, são inúmeras as críticas às celebrações desta natureza, principalmente em nosso país, já que seus detratores entendem que elas copiam tradições norte-americanas, absolutamente distantes de nossa realidade. Entendemos, no entanto, a celebração não deve se restringir exclusivamente às suas origens, negando sua validade por ter nascido num país imperialista, mas concebê-la num sentido abrangente, em nível espiritual, capaz de anular preconceitos, derrubar barreiras, aproximar os indivíduos, fazendo-os se sentir filhos do mesmo pai que faz o sol nascer e brilhar para todos, sem acepção de pessoa.

Vale transcrevermos parte do texto de matéria sobre a data publicada pela revista “Família Cristã” (11/93- pág.42):- “Em nossa sociedade, dominada pelo egoísmo e pela ganância, parece que o sentimento de gratidão não encontra mais espaço no coração humano. É preciso resgatar este sentimento como uma forma simples de acreditar no valor da vida, na importância da amizade, na esperança de que é possível superar a fome, o desemprego, a violência. Hoje, mais do que nunca é fundamental resgatar a lei do amor e da gratidão a Deus por seus gestos de pai e, no relacionamento fraterno, introduzir as pessoas no delicado mistério do ‘muito obrigado’ ”.

· JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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