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Coluna do Martinelli: Professor, peça chave na formação do ser social

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLi | 14/10/2018 | 10:00

O principal meio de reversão à situação social brasileira passa por investimentos na educação, pois se constitui na ferramenta de capacitação, de inclusão, de formação profissional e de instrumento de desenvolvimento do espírito crítico, gerando qualidade de vida. Sem dúvida, ela é a base para o desenvolvimento de qualquer nação e nesta trilha, o professor se torna peça chave na formação do ser social, pois é ele quem vai guiar a produção do conhecimento e o futuro profissional e acadêmico de cada criatura. E apesar do acesso ao sistema educacional ser um direito inalienável do indivíduo, desde a infância, no Brasil o Estado não cumpre essa sua precípua função, a começar pelo descaso com a situação de nossos educadores.

Com efeito, o quadro se modificou de forma até grotesca. No passado, principalmente os do primário e do secundário, eram dotados de prestígio e credibilidade por parte dos alunos; eram respeitados pela sociedade e ganhavam proporcionalmente mais que hoje em dia. Relacionavam-se com as famílias dos estudantes e com a comunidade em geral, tinham mais tempo e condições de se atualizarem. Infelizmente, na atualidade, são mal remunerados, socialmente desprestigiados e não têm condições para se reciclarem, pois exercem uma carga horária abusiva, necessária à própria sobrevivência.

Dependem também de uma política educacional por parte do governo, que hoje em dia trata o ensino com um descaso flagrante, visível na própria deterioração dos prédios escolares e na falta de segurança nas imediações e no interior das escolas, que envolve desde a ocorrência de assaltos e de agressões generalizadas, até tráfico de drogas. E sem professores bem preparados e motivados torna-se inviável todo o sistema de ensino.

O Dia do Professor, quinze de outubro, amanhã, foi oficializado no Brasil em 1963, numa rememoração à data que, em 1827, instituiu os primeiros cursos primários em nosso País. O objetivo principal dessa comemoração, de acordo com o decreto federal, era enaltecer a função do mestre, e, cabia às escolas promover solenidades em que participavam alunos e familiares. As celebrações, com destaque para a importância da sua função social, foram esquecidas, mesmo porque, o setor público na área está praticamente falido, e no privado, grande parte da academia está sendo substituída pela idéia da escola-empresa.

Ilustrativamente invocamos Luno Volpato, membro da Academia Campinense de Letras: – “Parodiando Euclides da Cunha, o professor é, antes de tudo, um obstinado. Adjetivos para tipificá-lo, há-os em profusão e permeiam entre o alfa e o ômega. Dentre tanto atributos, dizem-no idealista, sonhador, abnegado, revolucionário, formador de opiniões, sacerdote do saber… Todos, é inquestionável, são-lhe pertinentes. Tais contemplações comovem-no, impressionam-no, mas não o tornam um profissional realizado, nem lhe garantem a sobrevivência e o pão de cada dia, para si e para os seus. …A problemática, porém é mais abrangente, é de fundo estrutural, ético, político, filosofico, cultural… Mas do que outro pretexto, ele quer um mínimo de respeito à profissão que já foi considerada, dentre todas, não a mais rentável, mas a mais nobre….”(Correio Popular- 14/10/2007- A-3).

Toda educação é um processo de aprendizagem para a vida. É uma interação entre ensino e aprendizagem. É preciso outorgar ao professor o necessário reconhecimento, propiciando condições para exercer sua função social, pois a formação e a informação são os fatores fundamentais da estrutura integral do homem. Precisamos conquistar tais aspirações. Elas não podem mais ser adiadas sob pena de se instituir um caos social futuramente neste País.

*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É o atual presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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