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Coluna do Martinelli: Rotary Club, a maior Organização Não Governamental do mundo

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 24/02/2019 | 05:05

O Rotary Club foi fundado em 23 de fevereiro 1905 e está completando assim, cento e doze anos de existência. Foi criado na cidade de Chicago, Estados Unidos, pelo advogado Paul Percy Harris e mais três homens de negócios, Gustav Loehr – engenheiro de minas, Hiran Shorey – alfaiate, Silvester Schiele – comerciante de carvão, como a Associação Nacional de Rotary Clubs (“National Association of Rotary Clubs”) em 1910 e em 1912 seu nome mudou para “Rotary International” em função da admissão da primeira entidade fora dos Estados Unidos, em Winnipeg, Canadá.

Constitui-se hoje na maior Organização Não Governamental (ONG) do mundo, que representa o denominado Terceiro Setor, estando instituído em duzentos e oito países, com aproximadamente um milhão e quatrocentos mil sócios. É concebido como um clube de serviços à comunidade local e mundial sem fins lucrativos, com caráter filantrópico e social, tendo por objetivo, estimular e fomentar o ideal de servir como base de todo empreendimento digno. Tanto que o lema da entidade é “dar de si antes de pensar em si”
Também segue “Prova Quádrupla”, criada em 1932, pelo rotariano Herbert J. Taylor, que a utilizou como instrumento de incentivo em sua própria empresa, que à época enfrentava uma grave crise. A adoção de tal postura levou a firma a sair de uma situação pré-falimentar. O mesmo teor foi adotado pelo Rotary International em 1943, é amplamente divulgada pelos Rotary Clubes no mundo, e tem como finalidade desenvolver e manter altos padrões de ética nas relações humanas e que dispõe o seguinte: “Do que nós pensamos, dizemos ou fazemos. 1. É a verdade?; 2. É justo para todos os interessados?; 3. Criará boa vontade e melhores amizades? e 4. Será benéfico para todos os interessados?”.
Uma constante também é apoiar o companheirismo como elemento capaz de proporcionar oportunidade de servir, razão pela qual realizam uma série de atividades visando ampliar essa união. Parabenizamos os rotarianos que num mundo alienante e consumista, dedicam seu tempo e experiência em prol do ato de servir, tentando melhorar a situação de muitas pessoas, procurando compreender os que os rodeiam e ser solidários com o próximo, cultivando ainda relações amistosas entre eles.

Ressalto que em todo o mundo há vários grupos congregando inúmeros indivíduos de boa vontade, , que buscam servir e atuam em favor de terceiros, mantendo aceso o espírito de altruísmo característico da entidade.

Reflexão sobre a mudança de valores

Diante dos últimos acontecimentos em todos os níveis, principalmente a corrupção e o desrespeito constante à dignidade da pessoa humana e da própria vida, devemos refletir com urgência sobre a mudança dos valores dominantes e que hoje privilegiam o “ter” em detrimento do “ser”. Na realidade, não estamos mais nem conseguindo fazer coisas simples e sequer nos questionamos a respeito de circunstâncias elementares como conversar com um vizinho, manter limpas as ruas, participar da comunidade ou nos preocupar com os rumos de nossa cidade.
Diz um educador que o homem, na sua vivência, tem de enfrentar duas forças antagônicas: o egoísmo e o altruísmo. O egoísta se preocupa apenas consigo mesmo e se exime de qualquer responsabilidade. O altruísta se inquieta também com os outros. Visando o nosso próprio bem, devemos aceitar algumas das dimensões do sacrifício e do compromisso, deixando de lado a permanente busca por comodidade. O futuro, coletivo e individual, depende de esforços pessoais que se somam e começam a mudar pequenas questões para, estruturando em muito trabalho e numa boa dose de renúncia, alcançar gradualmente, e o quanto antes, a consolidação de uma convivência afável e justa. Daí a enorme responsabilidade que temos pela consecução de um mundo melhor.
É de extrema relevância a consciência das inúmeras saídas, como também de que para nenhuma delas a fórmula é milagrosa. Todas exigem empenho e abnegação, mas primordialmente, muita veneração pelo próximo, amor à vida e por tudo que o mundo em que habitamos, e que às vezes pouco prezamos, têm-nos legado.

*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com).

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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