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Coluna do Martinelli: Saudade e solidariedade, demonstrações de amor sincero ao próximo

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 27/01/2019 | 05:05

Comemora-se a 30 de janeiro, quarta-feira próxima, o Dia da Saudade, cuja palavra vem do latim “solitate”, que na tradução literal quer dizer solidão. Em nossa língua, no entanto, ela tem uma concepção mais romântica, com caráter dúbio, ou seja, indica lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave. Temos saudades de pessoas, de momentos, de situações, de lugares e de tudo o que nos faz bem. E, como apregoa o adágio popular, relembrar é viver e ela nos transporta para um tempo em que fomos mais felizes, trazendo, muitas vezes, no entanto, momentos doloridos.
Por isso constantemente é tema de músicas, poemas, filmes e não há quem já não a tenha sentido. Para celebrarmos a data, invocamos Vinícius de Moraes e Tom Jobim que cantaram o clássico da bossa nova “Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há paz, não há beleza é só tristeza e a melancolia que não sai de mim, não sai de mim, não sai”. E Mário Quintana: “O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…”.
E no dia 31 de janeiro, celebra-se o Dia Internacional da Solidariedade e esta, como propósito moral que vincula o indivíduo à subsistência, aos interesses e às obrigações dum grupo social, duma nação ou da própria humanidade, fazendo com que ele partilhe construtivamente da vida do seu semelhante, encerra dois aspectos, ou seja, participação e ajuda: uma virtude que se subordina à disposição afetiva em relação a quem nos avizinha. Para Franz Kafka, ela “é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”.
Numa época na qual os padrões dominantes privilegiam o ter em detrimento do ser, faz-se necessário traçarmos um novo horizonte para o amanhã, com a asseveração de princípios básicos como a solidariedade, que integra a terceira geração dos direitos humanos. Por isso, imperioso que se multipliquem as ações sociais. Todavia, isso só se tornará realidade quando, dentro de nós mesmos, o individualismo for substituído pelo amor sincero ao próximo. Somente a solidez dessa conduta capacita os indivíduos a resistir aos apelos fáceis e as tentações do mundo moderno. E essa mesma firmeza é que cria a respeito e o entendimento entre as pessoas, sendo que o compromisso com o bem comum vai se traduzindo no esforço constante de se promover o ser humano.
O futuro, coletivo e individual, depende de esforços pessoais que se somam e começam a mudar pequenas questões para que estruturados em muito trabalho e nunca boa dose de renúncia, alcançar gradualmente, e o quanto antes, a consolidação de uma convivência afável, fraterna e justa.

*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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