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Coluna do Martinelli: Segundo turno aumenta a responsabilidade dos eleitores

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 28/10/2018 | 06:05

Hoje ocorrerão eleições para Presidência da República em segundo turno. A escolha de pessoa que exercerá esse cargo se revela num dos mais importantes instrumentos do exercício da cidadania. Com efeito, o ato de votar não pode ser considerado como uma mera obrigação constitucionalmente imposta. Mais do que um dever, o seu exercício é um direito do cidadão, revelando-se na manifestação da vontade geral, base da democracia. Por isso, ele deve ser consciente, resultado de análise acurada sobre os postulantes e a vocação destes na promoção da vida e do bem comum.

Infelizmente, decepcionados com o cenário brasileiro, muitos perderam a esperança naqueles que se propõem a nos representar, entendendo que depois de eleitos, há uma acomodação na consecução de interesses pessoais, distanciando-se das aspirações coletivas. Essa concepção é um estímulo ao voto nulo ou branco, mas resistindo a tentação, não devemos desperdiçar a oportunidade de escolhermos pessoas comprometidas com valores e princípios coerentes, refletindo sobre seus programas e eventuais propósitos. A ausência à nossas responsabilidades, só prejudicará ainda mais a situação.

Realmente prevalece em nossos dias uma rejeição sistemática à figura do político, independentemente de partidos ou tendências ideológicas. Essa indiferença, no entanto, tende a se reverter em prejuízo à própria população, já que a política exerce absoluta influência e controle sobre os mais variados setores sociais. Constitui-se no palco e na arte do poder e este, num regime democrático, é conferido pelo povo através do voto, daí a responsabilidade de todos nas eleições.

É manifestamente penoso não ter cidadania quando ela é negada. Mais cruciante ainda, é abrir mão dela por culpa própria. Por isso, como mensagem deste dia, em que nossa responsabilidade é muito grande por escolhermos o novo presidente da República, inspiremo-nos em São Francisco, procurando abraçar os valores que realmente dão sentido à nossa convivência: a solidariedade aos pobres, o perdão aos desafetos, a subjetividade livre de mágoas e ressentimentos, a língua imune de calúnias e, principalmente, a fome de justiça que nos induz a buscar relações sociais menos desiguais.

Também necessitamos acabar com a cômoda ideia de que a nossa obrigação se extingue com o simples sufrágio na zona eleitoral. Ao contrário, proclamados os resultados, daí é que efetivamente se inicia o maior procedimento de cooperação popular: observar e tentar corrigir o trabalho dos escolhidos pelo povo quando preciso.

A participação possibilita atentarmos aos achegos que prevalecem em muitas circunstâncias, evitando abusos e fiscalizando o que é feito com as coisas públicas. Mais do que nunca, temos que batalhar por uma sociedade justa e fraterna, ainda que tal tarefa seja constantemente dificultada por inúmeros aspectos. No entanto, é preferível pecar pela ação, que pela omissão.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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