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Conduta ideal

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS | 21/06/2020 | 05:00

“Tratai todos os homens da mesma forma como quereríeis que eles vos tratassem”. (Lucas, VII, 12)
Esta passagem é citada na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, e traduz o comportamento ideal nas relações humanas, de todas as pessoas, em todos os momentos e oportunidades.

Todavia, é comum que o comportamento praticado divirja do ideal. Entre a teoria da moral religiosa cristã e sua prática, há distância incompreensível. Embora a maioria dos brasileiros se declare cristão, nos deparamos com alto grau de agressividade, egoísmo e julgamento de uns para com os outros, reações que parecem conduzir as relações entre os indivíduos. E com o advento da internet, o que vimos foi a crescente escalada de posicionamentos fundados nestas posturas nada fraternais.

Conforme pesquisa Datafolha publicada em janeiro de 2020, 50% dos brasileiros se declaram católicos, 31% evangélicos e3% espíritas. Assim, se estima que pelo menos 84% da população brasileira deveria praticar as condutas apregoadas por Jesus. Deveria, mas não é o que acontece.

A tese cristã é mais que artigo de fé. É uma filosofia que trata da conduta ética, do comportamento moral, é o ensino de conteúdos que, se praticados, facilitariam não só as relações humanas e a convivência, como também aperfeiçoariam a nossa própria participação no mundo, pois seria mais fácil compreender, perdoar e agir com benevolência e indulgência nas situações, inclusive as que exijam pulso firme na correção dos erros.

Mas muitos acham, mesmo que não o digam em voz alta, que é fraqueza agir como cristão. Amar ao próximo como a nós mesmos! Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem! Tal contradição entre crer e ser pode ser explicada pela incompreensão, talvez, da grandiosidade daquele que viveu uma vida exemplar e que, tendo afirmado a continuidade da existência após a morte, se mostrou vivo pouco tempo após sua crucificação.

Essa incoerência de comportamento nasce da falta de percepção de que podemos (eu diria devemos) sermos nós, não os outros, os exemplos da melhor conduta cristã que desejamos enxergarem outrem. Precisamos treinar. Não custa exercitar o amor e avaliar o resultado da nossa mudança de comportamento. O mundo precisa de paz, uma paz que está em nossas mãos ajudar a construir.

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.

 

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS


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