Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Contra a miséria

JOSÉ RENATO NALINI | 18/07/2019 | 07:30

As notícias que envolvem o Brasil não são animadoras. Isso para ser eufemista. Elas, na verdade, são péssimas. Agora divulga-se que nunca houve tanto crescimento da pobreza como nos últimos anos. O índice que avalia a miséria suplantou as piores expectativas.

Apurou-se que os mais ricos tiveram aumento em sua riqueza superior a 8%, enquanto os mais pobres ficaram mais próximos à miséria em 12%. Ouvi na Globo News numa destas últimas manhãs.

O que fizemos da República Federativa que, em 5 de outubro de 1988 prometeu erradicar a miséria, reduzir a desigualdade, edificar uma pátria justa, fraterna e solidária?

A culpa não é do governo. A culpa é de cada um de nós. Não passa pela cabeça da maior parte dos brasileiros que governo é servidor da população. É um instrumento servil, subordinado ao verdadeiro titular da soberania, que é o povo.

Está demorando muito para que todos os humanos se compenetrem de sua responsabilidade em relação à gestão da coisa pública.

Verdade que o bacharelismo não contribui muito para tornar a população um modelo de cidadania. A Constituição Cidadã tem esse nome, a simbolizar a intenção de Ulysses Guimarães, seu principal propulsor. Mas exagerou na enunciação de direitos. Prodigalizou benefícios que impregnaram a consciência do brasileiro em geral. Exemplo: garantir “saúde”. É possível dizer que saúde é um direito universal?

Ouvi de magistrados alemães que isso é uma ficção. A inspiração é saudável, mas saúde significa inexistência de qualquer moléstia, de qualquer mal-estar, físico ou mental.

A Constituição poderia ter garantido o direito à assistência médica, ao medicamento, à internação. Não à “saúde”. Enquanto houver um brasileiro sentindo desconforto, esse direito estará sendo negado.

A consequência dessa “universalização da saúde” foi a judicialização do setor. Convivi com um Secretário da Saúde, luminar em sua área, respeitado cientista e pesquisador, erudito e bem sucedido. Enquanto exerceu a Secretaria da Saúde, vivia a fugir de oficiais de justiça que estavam munidos de mandados de prisão contra ele.

Não é no mínimo esquisita a situação?

Em síntese: o que falta ao Brasil é educação. Educação integral, formal e informal. Que é responsabilidade da família e da sociedade, antes de ser do Estado. Estado é algo que, na visão utópica e original, constituiria mera etapa no processo de ascensão civilizatória da humanidade. O ideal é pensar que um dia vamos nos livrar dele.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, gestão 2019-2020.

 


Leia mais sobre
JOSÉ RENATO NALINI
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/contra-a-miseria/
Desenvolvido por CIJUN