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Carlos Henrique Pellegrini: Covid-19 x gripe espanhola

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 26/03/2020 | 05:24

O covid-19 é da família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31 de dezembro de 2019, após casos registrados na China. Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

O governo, em suas esferas, vem se empenhando em coordenar as consequências da doença que são amplamente divulgadas e como mitigar os efeitos da pandemia. Para elucidar as conseqüências de uma pandemia dessa ordem, narrarei fatos ocasionados pela gripe espanhola. Essa doença também teve como vírus o H1N1, encubado em animais.

No Brasil, em outubro de 1918, o cenário era dramático. A proeminente cidade de São Paulo viu-se às moscas. Grupos primários mandaram os alunos para casa, sociedades esportivas suspenderam jogos, teatros e cinematógrafos cancelaram sessões, paróquias aliviaram o terço. Compras, no que restou de comércio, eram feitas por uma única pessoa da família e o troco era colocado sobre a mesa. No mundo, foram infectados 600 milhões de pessoas tendo morrido mais de 20 milhões delas, (ou 40 milhões como muitos defendem).

A gripe espanhola matou mais em seis meses do que a aids em 23 anos, ou a peste negra em um século. Perto dela, a Primeira Guerra Mundial, com oito milhões de mortos, foi uma vírgula nas estatísticas. No Brasil, oficialmente ocorreram 35.240 óbitos. A dificuldade em se respirar chegava a ser tão grande que os corpos ficavam arroxeados, tanto que não era fácil distinguir o cadáver de um branco do de um negro.

Os mortos eram jogados nas ruas para serem recolhidos por caminhões e carroças da limpeza pública. Relatos dão conta que, se um deles ainda mostrava sinais vitais, recebia o golpe fatal com as costas das pás. Os paulistanos ganharam luz elétrica para enterros noturnos e os coveiros se multiplicaram.

O fato do presidente da República Rodrigues Alves ter sucumbido à gripe espanhola não coloca a doença num patamar democrático. Eleito para um segundo mandato em 1° de março de 1918, caiu gripado no final de outubro, falecendo em seguida. Assumiu o vice-presidente Delfim Moreira sob um clima de desânimo e abatimento.

A partir de fevereiro de 1919, a gripe espanhola perdeu força. O caos no mundo só não foi pior pela solidariedade das pessoas. Essa calamidade sem igual trouxe à luz a falta de organização sanitária do mundo. O sabor ao redor da Terra era de derrota. Não podemos mais arriscar: portanto, devemos seguir as recomendações do governo, em especial do Ministério da Saúde.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de gestão e sucessão empresarial familiar.


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