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Cristina Castilho: Aborto e o sim à morte

CRISTINA CASTILHO | 28/06/2018 | 05:00

Dois acontecimentos me questionam: em votação popular, no final de maio, a maioria dos irlandeses votou favorável à legalização do aborto até a 12ª semana de gravidez. Na Argentina, no início de junho, foi aprovado, pela Câmara dos Deputados, por 129 votos a favor e 125 contra, o projeto que legalizará o aborto até a 14ª semana, em qualquer circunstância e até os nove meses em casos de violação, risco de vida e saúde para a mãe e inviabilidade fetal. Nos dois países, vi fotos, após o beneplácito, de mulheres e homens com atitudes eufóricas e li, também, justificativas como “legalizar o aborto pela vida das mulheres, pois as que têm dinheiro o realizam com segurança e as pobres clandestinamente, correndo risco de morte”.

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O essencial é dar condições de vida digna a todas as pessoas que se encontraram afundadas em misérias, em lugar de condenar à morte os seus rebentos. Durante audiência no Vaticano, afirmou o Papa Francisco sobre o aborto: “É o mesmo que faziam os nazistas, mas com luvas brancas. (…) Em uma gravidez na qual a criança não está bem ou possui alguma má formação, a primeira oferta é: ‘Vamos tirá-la’? O homicídio das crianças. Para deixar a vida tranquila, mata-se um inocente”. Depois da fala do Papa, analisei alguns comentários irados sobre ele, no sentido de que, quando se espera uma renovação e abertura da Igreja, Francisco compara o favorecimento do aborto a posicionamentos como de Auschwitz. E qual a diferença se o que está em discussão ou aprovação é a morte dos mais frágeis?

O argumento de que, no caso de uma gravidez indesejada, o filho parece ser fruto apenas da mulher, sem exigir a contrapartida do homem, é verdadeiro, contudo isso não justifica destruir o bebê que pulsa nas entranhas maternas. Não é ele um amontoado de células inanimado. Se o fosse, não se desenvolveria. Há caminhos como da adoção. E que se lute por leis mais rígidas que punam a paternidade irresponsável. O feto não é parte do corpo da mãe, apenas o habita por um tempo necessário. Sim à vida, portanto, é permitir que ele venha à luz. Quem é a favor da vida, desde a fecundação, não pode se intimidar com as ditaduras ideológicas que justificam assassinatos, pois somos também cidadãs e cidadãos, cumprimos com nossos deveres, pagamos impostos e temos direito a expressar nossa opinião e a lutar por ela.

MARIA CRISTINA CASTILHO é professora e cronista

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADEARTICULISTA


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