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Cristina Castilho: sobre educação e juventude

CRISTINA CASTILHO - opiniao@jj.com.br | 19/03/2018 | 02:45

Estou lendo “Sobre Educação e Juventude”, do sociólogo Zygmunt Bauman. Nascido na Polônia, mora na Inglaterra desde 1971. É professor emérito das universidades de Varsóvia e Leeds. O autor traça, para os educadores, o caminho para nutrir a resistência e o espírito crítico. E aconselha que “é pela escola que devemos recomeçar”. Um livro atualíssimo que mostra a problemática, diante da vida líquido-moderna, dos jovens que tendem a se isolar no mundo on-line de relacionamentos virtuais, na depressão, no abuso de álcool ou de drogas. E os que se lançam a formas violentas de comportamento, como as gangues de rua. Jovens ávidos por participar do mercado de consumo. Ao refletir sobre a colocação acima, me vem o número de suicídios ultimamente em meio aos jovens. Parece-me existir um amargo existencial que não se consegue preencher, somado a problemas como desemprego, doenças não detectadas e não tratadas desde a infância…

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE ARTICULISTA

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Todos os capítulos muito interessantes, mas destaco o sétimo: “A depravação é a estratégia mais inteligente para a privação”. Bauman aborda a forma de vida que a geração jovem de hoje nasceu, numa sociedade de consumidores e numa cultura “agorista” – inquieta e em perpétua mudança. Comenta, ainda, que “a ressonância entre as agendas da TV (um redemoinho de trajes sumários e strip-teases emocionais) e o modo como nossa forma de vida nos treinou e adestrou a sentir e desejar é medida pelo ranking das emissoras”. Evidencia, o autor, a obsolência instantânea, que reduz a distância entre a novidade e a lata de lixo. A “cultura de cassino” líquido-moderna, de acordo com o sociólogo, está adaptada ao mercado de consumo. Os mercados de consumo oferecem produtos destinados à pronta devoração. Penso nas mocinhas de 13, 14, 15 anos nos jogos da vida. Tornam-se ficha sem aposta. Transformam-se em artigo de consumação. E como o mercado é célere são sorvidas em instantes. Surgem os filhos do acaso. Penso nos mocinhos de 13, 14, 15 anos nos jogos da vida. O entorno os afasta das peladas nos terrenos baldios pela urgência em se tornarem consumidores de meninas. E quem não se adapta ou encena se torna alienígena. “Reduz-se a distância entre a novidade e a lata de lixo”. Quem deixa de ser curiosidade se transforma em entulho. É urgente salvar os jovens, em meio às redes sociais, do “agorismo”.

MARIA CRISTINA CASTILHO é professora e cronista

*Nota da Redação: o autor Sigmund Baumann, citado pela articulista Cristina Castilho neste artigo de opinião, faleceu em 9 de janeiro de 2017 em Leeds, na Inglaterra. 


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