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Cristina Castilho: Tecendo a manjedoura

MARIA CRISTINA CASTILHO | 13/12/2018 | 07:30

Santa Teresa D’Ávila (Espanha: 1515-1582), em um de seus escritos, faz uma comparação com o bicho da seda para a construção interior da morada divina. Comenta que, como se fosse uma semente, grãos pequeninos conforme o da pimenta, com o calor do sol, quando começa a haver folhas nas amoreiras, que até então estivera morta, iniciam a vida. “E esses grãos pequeninos se criam com folhas de amoreira; quando crescem, cada verme, com a boquinha, vai fiando a seda, que tira de si mesmo. Tece um pequeno casulo muito apertado, onde se encerra; então desaparece o verme, que é grande e feio, e sai, do mesmo casulo, uma borboletinha branca, muito graciosa”.
A alma, para Santa Teresa, é representada por essa lagarta, que começa a ter vida, quando começa a beneficiar-se do auxílio geral que Deus dá a todos. E o Beato Frei Maria-Eugênio do Menino Jesus, OCD, em seu livro “Quero ver a Deus”, ao citar essa reflexão, afirma que a Santa explica que para a construção desta morada divina é necessário tirar de nós próprios e dar de nós próprios como fazem os bichinhos da seda. O problema é o que tiramos e damos.
Lembrei-me essa passagem na de preparação do Natal. São tantas coisas exteriores que nos rodeiam: o consumismo, as bebidas que entorpecem, as receitas com colesterol e triglicérides alto, a gritaria nos microfones e nos carros de som… Há brilhos e tons estranhos nas vitrinas, com números que dizem da vantagem nas compras. Papai Noel se multiplica onde há concentração do comércio. Em raros lugares, uma imagem do presépio que diz de salvação.
Aumentam sonhos de adquirir e diminuem os olhares que buscam no Céu uma estrela que ilumine suas angústias e leve a um sentido maior da existência.
Um dia desses, li no jornal da Paróquia São João Batista daqui, que a manjedoura foi o primeiro altar de Jesus. Gostei tanto dessa maneira de ver onde o Menino repousou assim que se fez presença em meio a nós. E, agora, penso, também, que a manjedoura, que Ele busca, para renascer em nosso coração, é a que propõe Santa Teresa, com fios de seda, tirados de nós mesmos. Mas cada um sabe o que é preciso remover de mortes de nossas entranhas, com o propósito de tecedura de amor, para que o Pequenino venha e nos traga, com Ele, Maria, José e os anjos daquela noite de luz.
Feliz Natal, gente querida, com a presença de Belém de Jesus!

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE é professora e cronista

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADEARTICULISTA


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