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Cristina Castilho: Uma história de encantos

MARIA CRISTINA CASTILHO | 12/03/2018 | 06:00

A psicóloga Aline Bergamini entrou em contato comigo para falar de encantos. Ela e mais algumas mães, que possuem filhas no Instituto de Orientação Artística – IOA –, decidiram doar fantasias, que suas meninas usaram, a um projeto de dança localizado em um bairro periférico. O IOA é de história que marca o município, a partir da bailarina, professora, diretora, cenógrafa e coreógrafa Glória Rocha (1920-1971).

Na década de 40, criou o “Ballet Jundiaiense” e, em 1956, fundou o IOA, entidade essencial para o desenvolvimento cultural da cidade. Por saberem que nos apresentamos no Polytheama e em outros locais, escolheram a Casa da Fonte (CSJ). Não tenho dúvida de que a beleza é um fator importante no empoderamento de crianças e adolescentes. Aplausos de nossas competentes professoras Tânia C. Coelho Vaccari e Jéssica Oliveira. Foram 34 fantasias doadas.

Uma das moças, de 40 anos, residente no Jardim Novo Horizonte, parte de nosso cotidiano, ficou deslumbrada ao ver as fantasias. Tirou uma por uma do invólucro e ria alto ao observar o tecido, os bordados, as pedrarias. Veio para cá de uma cidade do sertão do Nordeste, próxima ao Rio São Francisco. No passado, sua terra era caminho das boiadas. O farol junto ao forte não conseguiu iluminar seus caminhos. Foi lá que o filho morreu matado (sic) e o genro também, como relata.

Já se encontrava aqui, fugindo da miséria, da seca e à procura de serviço para o novo companheiro. As coisas prosseguem difíceis, porém as fantasias produziram nela um contentamento de sonhos antigos. Como lhe agradou manusear as roupas e se enxergar em cada uma delas.

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE ARTICULISTA

Sem dúvida já sonhara em estar em uma caixinha de música, daquelas antigas, em que a bailarina gira na ponta dos pés à espera do príncipe encantado. Sonho de “O Quebra Nozes”, escrito pelo alemão Hoffman, com bosque mágico e fadas, e música composta por Tchaikovsky. Observou, por último, a fantasia branca e exclamou que lhe despertara a vontade de casar. Projetar-se no que é agradável, embora impossível, sempre purifica os sentimentos.

Em seguida, nossas crianças, para experimentarem e tirarem fotos, vestiram-se com essas roupas de festa e se sentiram preciosidades nos palcos de sua história. Que mães lindas essas, que partilham a formosura e a arte de suas filhas com nosso povo miúdo e um pouco maior!

MARIA CRISTINA CASTILHO é professora e cronista


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