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De 65 mil a 65 milhões

JOSÉ RENATO NALINI | 16/09/2018 | 08:30

Fiquei aturdido com a divulgação do número anual de morte de jovens: 65 mil. São rapazes a partir dos 15 anos, em sua maioria pardos e negros, liquidados por assassinatos diuturnos. São 175 homicídios por dia!

Eis senão quando surge outra cifra assustadora: 65,6 milhões de brasileiros estão fora da força de trabalho!
No segundo trimestre de 2018, o número de pessoas que não trabalham ou desistiram de procurar emprego cresceu 1,2% e atingiu um nível recorde: 65,6 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais estão fora da força de trabalho. Se quiserem o percentual, são 40% de pessoas que poderiam trabalhar e não conseguem.

Que país é este?

Não se trata de “achismo”. São dados do IBGE, que apurou o mais alto índice de desocupação desde 2012. Complete-se com o pior: intensifica-se o desalento. Desiste-se de procurar emprego.

O paradoxal é que, em ano eleitoral, os cupinchas conseguem postos de propagandistas do agente contratante. Tudo aparelhado para fazer campanha. Por isso é que em lugar de trabalhar, as redes sociais são movidas por interesses de quem quer ser eleito, com a divulgação de “fakes” e de falas laudatórias em relação a quem contratou.

O IBGE constatou essa contradição. Enquanto o mercado de trabalho brasileiro tem cada vez mais trabalhadores informais, pessoas desistem de procurar emprego, o setor público amplia as contratações e bate recorde de empregados em momento de severa crise fiscal.

É como se não houvesse a tragédia do grande déficit público. Isso não é problema para quem quer se eleger a qualquer custo. Mesmo se vier a inviabilizar a próxima administração.

Entre abril e junho, 11,6 milhões de pessoas estavam empregadas no setor público, o maior nível da série histórica. No segundo trimestre, 392 mil pessoas foram contratadas pelo setor público. Desse total, 73%, ou 289 mil vagas, não tinham carteira assinada.

São modelos de contratação temporária, exatamente para satisfazer essa ânsia de ter mão-de-obra remunerada para fazer campanha.
Triste Brasil! O que é que você pode esperar, com tais administradores?

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

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