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Dia do Aposentado. Não há o que comemorar

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 20/01/2019 | 08:30

Em 24 de janeiro, celebra-se o Dia Nacional do Aposentado, porque nessa data, em 1923, ocorreu a assinatura da Lei Eloy Chaves, criando a caixa de aposentadorias e pensões para os empregados de todas as empresas privadas das estradas de ferro. Esse diploma legal, cujo autor é de Jundiaí e dá nome a um de nossos mais importantes bairros, constitui-se no marco histórico da Previdência Social, que até então atendia apenas os funcionários do governo federal.

No entanto, não há o que comemorar atualmente. Ao contrário, tornou-se oportunidade para ressaltar os problemas que afligem os aposentados, que prestaram durante muitos anos os mais variados serviços em prol do engrandecimento da Pátria. Eles sofrem uma série de injustiças e seus rendimentos são constantemente reduzidos.

Tanto que, os que recebem mais de um salário-mínimo de benefício são aumentados em índices bem inferiores ao do acréscimo real desse valor referencial, mostrando as pesquisas que está havendo um acelerado processo de pauperização da faixa intermediária deste grupo de pessoas.

Enfrentam assim, não só o fator previdenciário, com a quebra da paridade, mas a ausência de reconhecimento a quem já entregou parte de sua vida ao trabalho. É por isso que um em cada três inativos do país, diante do achatamento de seus salários e pensões, continua trabalhando ou está em busca de uma posição de sobrevivência.

Em meu livro “O Direito de Envelhecer num País ainda Jovem” (4ª. Edição, Ed. In House), destaco que o idoso não precisa de esmolas, mas de justiça e de direitos como o de viver, de envelhecer, de lazer e de ter uma medicina preventiva. Há, assim, necessidade urgente de reformulação da política que rege as aposentadorias, no sentido de evitar que se tornem fonte geradora de problemas sociais e preparar a infra-estrutura de instituições e empresas para que os pré-aposentados tenham condições de pensar, discutir e planejar a aposentadoria. Compete à Previdência Social propiciar dignidade àqueles que compõem a memória viva da humanidade.

Eles não querem mais ser lembrados somente às vésperas de eleições, atuando indiretamente como simples trampolins políticos, para posteriormente serem relegados a um plano eminentemente secundário, com o adiantamento constante de possíveis soluções às suas questões.

Por outro lado, invocamos a luta efetivada pelo ex-vereador jundiaiense Antonio Galdino, um dos fundadores da Associação dos Aposentados de Jundiaí, cujo trabalho alcançou repercussão nacional, a quem conheço e admiro desde criança quando ainda trabalhava numa sapataria no Largo São José, tendo exercido vereança junto com meu pai, saudoso Hermenegildo Martinelli. Inspirando-me nele, destaco que os próprios aposentados e pensionistas, não podem aceitar passivamente o desinteresse com que são recepcionados e o desrespeito com uma legislação que desconhece os anseios de uma parcela da sociedade já tão rejeitada e abandonada.

A mobilização, a luta, a dedicação, a cobrança aos representantes populares eleitos e uma permanente participação demonstrando a força do movimento poderão promover as mudanças necessárias, alcançando-se a igualdade de direitos, tão distante deles e que muitas vezes são tratados como cidadãos de segunda categoria, dada à negligência do Poder Público para com suas justas solicitações.

DIA DA RELIGIÃO

No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial da Religião, com o objetivo de fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa, ou seja, a unidade na diversidade, mediante a ênfase no denominador comum que existe em todas as devoções, a crença num Ser superior e um sentido corporativo ou de comunidade. Trata-se de uma data muito especial no Brasil, que conta com dezenas de credos religiosos, ligados às culturas dos povos que ajudaram na sua construção. Reitero, por ocasião dessa data comemorativa, que professar uma crença, não é apenas ir ao templo e rezar. É amar todas as coisas vivas sobre a terra, ajudar o próximo, ser solidário e generoso, perdoar e respeitar os outros. Mais do que nunca temos que nos conscientizar que a generosidade com as pessoas e o respeito à natureza, bem como a fé em Deus devem abalizar qualquer religião.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI
 


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