Opinião

Direita ou esquerda?

T_pedromacielneto
Crédito: Reprodução/Internet
Vivemos tempos de radicalização e intolerância. Os protofascistas instalados no planalto e na esplanada são responsáveis pela operação do golpe de 2016, são intolerantes, conservadores, preconceituosos, misóginos, machistas, hipócritas, violentos, ultradireitistas, ultraliberais e dão de ombros para a democracia: o que vale para eles são suas certezas e convicções, como confessou Paulo Guedes, quando afirmou: "Não olhe para nós procurando o fim da desigualdade social". Nesse contexto acredito na necessidade de união de forças democráticas de direita, centro e de esquerda para vencer fascistas, integralistas e totalitários de toda espécie. Para isso é fundamental recuperarmos os conceitos de direita e esquerda, o significado e razão prática: para instrumentalizá-los no discurso e na ação política na quadra daquilo que pode nos unir. Mas o que é ser de direita? O que é ser de esquerda? É possível a união de tal leque de forças democráticas para vencer o protofascismo? Penso que sim. Mas antes, uma introdução que julgo necessária: há quem diga que os termos direita e esquerda tornaram-se obsoletos em razão da crescente complexidade das estruturas sociais em razão da crise vivida pelos governos de esquerda. Não se pode ignorar que socialistas, comunistas e social-democratas sofreram revezes em várias partes do mundo e assistiram, quase sempre pela via do voto, a ascensão de governos assumidamente de direita. Os conceitos direita e esquerda e seu significado seguem vivos e são essenciais para compreensão do discurso e para impulsionar a ação e a unidade entorno da defesa da democracia e das instituições democráticas. Direita e esquerda operam na esfera da política e estão, como ensina Bobbio, colados no imaginário e na linguagem da vida cotidiana, pois dá a cada um de nós identidade e argumentos para a luta dos nossos projetos e utopias. Ainda segundo o mestre italiano "apesar de renegados, direita e esquerda persistem como palavras-chave do discurso político preservando toda carga emotiva com que tem sido empregadas desde a revolução francesa.". É verdade que do inicio dos anos 1980 a meados dos anos 1990 o mundo viu a ascensão da direita e do neoliberalismo. Os governos de direita instrumentalizaram o neoliberalismo e implantaram políticas de mercado, relegando a segundo plano as questões e dramas sociais: o mundo assistiu enorme concentração de renda nesse período. Mas a partir de meados dos anos 1990, por vinte anos vivemos um ciclo de governos de esquerda pelo mundo, para agora novamente vermos a direta ocupar espaços da institucionalidade PEDRO BENEDITO MACIEL NETO é advogado e Presidente do Conselho de Administração da SANASA S.A.  

Notícias relevantes: