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Dom Vicente Costa: A esperança que vence o coronavírus

Dom Vicente Costa | 05/04/2020 | 07:00

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Caros leitores e leitoras: o cenário pelo qual estamos passando, relacionado com a pandemia de covid-19 tem feito com que a nossa vida passe por uma transformação profunda. As celebrações em nossas igrejas têm sido canceladas, muito embora os templos devessem ficar com as portas sempre abertas para acolher as pessoas que a eles acorrem em busca de conforto e consolo.

Nós, pessoas humanas criadas à imagem e semelhança do Criador, somos dotados de inteligência e de liberdade. Vivemos numa época em que o avanço tecnológico pode contribuir, e muito, para darmos a volta por cima e encontrarmos saídas para superarmos os desafios atuais.

A palavra de ordem hoje é: “ficar em casa”. Segundo as autoridades sanitárias, o isolamento social é o melhor caminho para contermos a proliferação da doença. Trata-se, todavia, de um distanciamento físico, mas não afetivo. E, graças às novas tecnologias, a aproximação entre as pessoas pode ser promovida e fortalecida, ainda que fiquemos cada um em seu lar.

Porém, não podemos deixar de nos interrogar: “Se Deus existe, de onde vem o mal? Se Deus, Pai todo-poderoso, cuida de todas as suas criaturas, por que então o mal existe?” E a resposta não é nada fácil. Diante do mal, da morte e do pecado, Deus não tem outra resposta a não ser oferecer seu único filho que nos amou até o fim, “até a morte, e morte da cruz” (Fl 2,8). Deus não responde com palavras, mas com a pessoa de seu filho, que assumiu todas as nossas enfermidades e as nossas dores, vencendo-as com a vida nova que brota de sua Ressurreição. É o mistério da vida pascal que em breve celebraremos.

Consolam as palavras do Apóstolo Paulo: “Sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). “Tudo”, ele diz, como também esses momentos difíceis que atravessamos, pois Deus sempre sabe tirar do mal um bem.
Santo Agostinho, o grande pensador, afirmou: “Deus todo-poderoso, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio mal” (De libero arbítrio, I, 1, 2). E nós também devemos sempre saber tirar do mal, um bem: a caridade, a solidariedade, o arrependimento, a contrição, o propósito de melhorarmos a nós e o mundo, a paciência, a humildade, o desapego, a esperança, a confiança, enfim, as virtudes cristãs que nos preparam, esperamos, para uma eternidade feliz, sem males.

Então, coragem! “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Que o nosso coração esteja sempre disposto a superar as inúmeras dificuldades da vida com esperança, confiando que as provações podem ajudar-nos a sermos cada vez melhores.

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí.


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