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Dom Vicente Costa: Aos namorados, com carinho

dOM VICENTE COSTA | 03/06/2018 | 03:50

“Duas pessoas andam juntas, sem terem antes combinado?” (Am 3,3). Caríssimos leitores e leitoras: no dia 12 de junho celebramos o Dia dos Namorados. Devido a esse fato, pensei em partilhar com vocês, principalmente com os namorados, algumas reflexões sobre o namoro. Hoje em dia a fase do namoro alcança todas as idades e, infelizmente, pode estar perdendo o seu verdadeiro significado, pois se percebe que não constitui mais um compromisso sério e sincero, podendo, inclusive, ser desfeito a qualquer momento, sem fundamento algum. Ora, o namoro não deve ser considerado algo banal e trivial, pois tem como objetivo colher um matrimônio duradouro, baseado no “amor que jamais acabará” (cf. 1Cor 13,8). Tenhamos plena certeza de que é do matrimônio vivido e assumido plenamente que advém a família que sustenta nossa vida e é a base de uma sociedade mais amadurecida e promotora dos verdadeiros valores.

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Para iluminar esta reflexão sobre o sentido do namoro e do noivado, gostaria de recordar as palavras que o Papa Francisco dirigiu especialmente aos jovens e aos adolescentes sobre a importância do namoro e do noivado em suas vidas (audiência geral realizada no dia 27 de maio de 2015). Ele explicou que o namoro ou o noivado “é um momento, um percurso que vai em frente lentamente, mas é um percurso de maturação. As etapas do caminho não devem ser queimadas. A maturação faz-se assim, passo a passo”. Em outras palavras, o namoro “é um percurso de vida que deve maturar como a fruta, é um caminho de maturação no amor, até ao momento que se torna matrimônio”.

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Por isso, no namoro torna-se muito importante o cultivo da confiança, da familiaridade e do conhecimento mútuo profundo. Se o verdadeiro sentido do namoro e do noivado constitui a preparação necessária para o matrimônio, entendido como uma aliança permanente, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte separe os cônjuges um do outro, “a aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para o outro. Não há o matrimônio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar. A aliança do amor do homem e da mulher aprende-se e aperfeiçoa-se. Permite que eu diga que é uma aliança artesanal”.

Que o Bom Deus abençoe os namorados, para que eles aprendam que o amor é uma escolha responsável, uma decisão bem amadurecida, baseada na experiência da convivência mútua. Que eles sejam ajudados por suas famílias e por todos nós para cultivar um amor responsável, capaz de enxergar e assumir as exigências que lhe são pertinentes nas diferentes circunstâncias de sua futura vida conjugal. Que esse amor seja doação e generosidade, pelo qual se aprende que o nosso bem é o bem do outro. Que experimentem também que o amor exige sacrifício para descobrir o imenso prazer em se dar ao outro, identificando-lhe os apelos e as necessidades. Enfim, que os namorados sejam capazes de se libertar das amarras do egoísmo e da autossuficiência, vivenciando em suas vidas a gratificante alegria de amar e de ser amado.

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí


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