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Dom Vicente Costa: Graves consequências de excluir Deus da vida

DOM VICENTE COSTA - opiniao@jj.com.br | 04/03/2018 | 06:20

“Pois em Deus vivemos, nos movemos e existimos” (cf. At 17,28). Vivemos tempos difíceis e conturbados. Apesar de vivermos numa sociedade com raízes cristãs, temos visto uma larga difusão de sinais e fenômenos de secularismo e descristianização. Deus já não é mais o centro da história humana e o ser humano quer fechar-se em si mesmo, sem nenhuma abertura à dimensão transcendental, determinando, com suas técnicas e intelectualidade, o curso de todas as coisas.T_DOM_VICENTE

Cada vez mais Deus diz respeito somente para os que n’Ele creem. Claro que o avanço tecnológico traz benefícios extraordinários à humanidade. Mas penso que estas tendências escondem uma ameaça muito grave. Perigosas podem ser as consequências com que temos de arcar quando excluímos Deus e a dimensão ao Infinito da vida humana.

O presbítero espanhol, Emiliano Jiménez Hernándes, em seu livro “Decálogo, dez palavras de vida” (Brasília: Editora Centro Neocatecumenal de Brasília, 2017), escreveu ser bem verdade que “o homem pode excluir Deus de sua vida. Mas isso não ocorre sem gravíssimas consequências para o próprio homem e para sua dignidade como pessoa. O afastamento de Deus carrega consigo a perda daqueles valores morais que são base e fundamento da convivência humana” e, consequentemente, na sua carência, é produzido um “vazio que se pretende encher com uma cultura centrada no consumismo desenfreado, no afã de possuir e desfrutar, e que não oferece mais ideais que a luta pelos próprios interesses ou o prazer narcisista. (…) Em vários países desenvolvidos, (e também aqui no Brasil), uma séria crise moral já está afetando a vida de muitos jovens, deixando-os à deriva, amiúde sem esperança, e impelidos a buscar uma gratificação imediata” (pp. 11-12).

Diante desta realidade, a Igreja, fiel ao Evangelho de Jesus Cristo e sendo perita em humanidade, pode e tem a missão de iluminar esta realidade na qual nossa sociedade está imersa. Como? Sugerimos três conceitos para isto: (1) Resiliência e Fé: a primeira é uma palavra moderna entendida como a capacidade de retornar à forma original e não deixar que nada nem ninguém desfigure a imagem de Deus presente em nós; (2) Maturidade e Educação: para que todos estejam dotados de um grande sentido de responsabilidade para o bem comum, a partir de um sistema educacional de qualidade, baseado na verdade e na formação de personalidades maduras e responsáveis, evitando qualquer confusão moral, insegurança pessoal e fácil manipulação; (3) A sacralidade da nossa consciência, que é, no dizer do Concílio Vaticano II, “o núcleo mais secreto e o sacrário do ser humano, no qual este se sente a sós com Deus (cf. Gaudium et Spes, n. 16)”.

Temos visto diariamente, nos meios de comunicação, as graves e impactantes consequências de excluir Deus da nossa vida – corrupção, violência, drogas, abortos, um crescente número de ideologias, uma cultura fragmentada, as grandes mídias e empresas politizadas partidariamente, o relativismo, a ditadura do hedonismo, do prazer e do consumo a todo custo, entre outras coisas. Não deixemos que nos roubem a esperança. Não deixemos que nos roubem a alegria de viver. Não deixemos que nos roubem de nós mesmos!

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí.


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