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Dom Vicente Costa: Medo da morte!

DOM VICENTE COSTA | 16/06/2019 | 07:30

“Ora, o último inimigo a ser vencido é a morte”
(1 Cor 15,26)

Estimados leitores e leitoras: em torno da morte há um grande receio, mesmo por parte daqueles que se declaram religiosos ou participam ativamente de alguma comunidade religiosa. O tempo passa, o ser humano alcança avanços na ciência, na tecnologia e em tantos outros setores e, mesmo assim, a morte continua sendo um grande mistério e desafio para todos. Independentemente de professar ou não uma religião, um credo, uma fé, as pessoas choram a morte. A morte nos traz vazio, incompreensão, dúvida, tristeza, saudade e nos impõe um profundo silêncio.

Para os cristãos, Jesus é a referência para tudo que diz respeito à vida, inclusive a morte. E o que impressiona, é que o próprio Cristo, que se apresenta como “caminho, verdade e vida”(Jo 14,6) chora compulsivamente diante da morte de seu amigo Lázaro (Jo 11,35). Podemos nos perguntar: “como pode o Autor da vida chorar diante da morte”? E numa reflexão bem rápida, podemos concluir que o “choro de Jesus” revela o paradoxo e a angústia da morte e como é difícil assimilá-la como uma experiência inevitável para todos.

Por mais desafios que alguém enfrente, o desejo e o anseio da vida prevalecem na mente e no coração de cada pessoa. Quando alguém desiste de viver, é porque talvez esteja passando por alguma patologia, pois uma pessoa saudável, por mais que seja provada, quer viver e lutarsempre pela vida. Às vezes, na hora da angústia e do sofrimento, alguns chegam a “pedir pela morte”, mas não é isso que a pessoa realmente quer, pois, no fundo, todosquerem viver.

A filosofia cristã chama a morte de “não morte”, ou seja, a morte física não tem o poder de destruir definitivamente a existência humana. A história de uma pessoa não termina no caixão, na sepultura. A morte não tem e nunca terá a última palavra sobre nós. A teologia segue esta mesma linha de raciocínio e se apoia na Palavra de Jesus que diz: “quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25).

O medo da morte não impede a morte. Pelo contrário torna a vida um tanto mais desafiadora. É preciso que vivamos com vontade de viver, para que o medo seja enfrentado e vencido pela confiança e pela certeza de que nesta vida tudo passa. O mais importante nãoé tanto o tempo que vivemos, mas sim, o modo como vivemos. O modo simples de se viver, com o desejo profundo de fazer o bem sem olhar a quem é que nos dá realmente a qualidade de vida. Atitudes como a coragem, a alegria, o bom humor, o entusiasmo, o amor e a fé nos ajudam a passar do medo à esperança, vivendo cada dia com gosto de eternidade!

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí


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