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Dom Vicente Costa: Tempo de festa

DOM VICENTE COSTA | 02/06/2019 | 07:30

Estimados leitores e leitoras: as relações humanas que desenvolvemos entre nós e com as outras pessoas podem expressar-se de inúmeras maneiras: seja nos vínculos familiares, seja nos laços de amizade que estabelecemos no trabalho, na escola, na vizinhança, seja nos encontros periódicos que fazemos com essas pessoas, num jantar, num passeio, numa festa… O mês de junho pode ajudar-nos a fortalecer esses vínculos. Início do inverno, quando o clima costuma ser mais frio, encontramos uma ótima oportunidade de aquecermos o nosso coração com a aproximação das pessoas, inclusive, em alguns casos, diante de uma fogueira: falamos das festas juninas, tão comuns neste período.
Trata-se de uma manifestação cultural tradicional no Brasil, e essas festas, originalmente, eram feitas para fazer memória de três santos muito populares, que recordamos neste mês: Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 30). Antigamente as comunidades reuniam-se para celebrar essas festas e, por ser inverno, sempre costumavam fazer uma grande fogueira para aquecer o ar e o relacionamento amigo e fraterno entre os amigos. Deste modo, estas festas se tornaram ótimas ocasiões para juntar as pessoas e desenvolver a experiência comunitária, tão fragilizada atualmente.
Com efeito, os tempos hodiernos, com o avanço de muitas tecnologias, a correria do dia a dia, as pressões do trabalho, dos estudos e a competitividade acirrada acabam desgastando em muito as nossas relações. Sobre isso, o Papa Francisco diz palavras acertadas: “A sedução com que nos bombardeiam (essas situações) é tal que, se estivermos demasiado sozinhos, facilmente perdemos o sentido da realidade, a clareza interior, e sucumbimos” (Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, sobre a chamada à santidade no mundo atual, n. 140).
Por isso, somos sempre convidados a manifestar a alegria e a amizade em nossa vida, pois a tristeza e o fechamento são causas sérias de uma grave doença, conhecida por muitos como “mal do século”, que é a depressão. Não se trata de uma alegria consumista ou individualista que, na verdade, não é alegria, mas apenas mera expressão de um prazer momentâneo. A esse respeito, o Papa Francisco fala da “alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica, porque ‘há mais felicidade em dar, do que em receber’ (At 20,35)”, pois “o amor fraterno multiplica a nossa capacidade de alegria, porque nos torna capazes de rejubilar com o bem dos outros” (idem, n. 128).
Portanto, que as festas juninas sejam comemorações felizes e saudáveis, porque partilhamos não apenas os alimentos que tradicionalmente se consomem nesses eventos, mas, antes de tudo, a própria vida. Sim! Como é bela e profunda a experiência que se vive com aqueles que chamamos de “amigos” e “irmãos” (cf. Sl 133,1).

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí.

Dom Vicente Costa


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