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Dom Vicente: Três atitudes em favor dos pobres

DOM VICENTE COSTA | 18/11/2018 | 07:30

Caríssimos leitores e leitoras: pela segunda vez, neste domingo, a Igreja Católica celebra o Dia Mundial dos Pobres. É mais uma oportunidade em que somos chamados a meditar com mais atenção sobre as nossas atitudes em relação aos necessitados. Na mensagem escrita para o evento deste ano, o Papa Francisco baseou suas reflexões a partir do versículo “Este pobre clama, e o Senhor o escuta” (cf. Sl 34,7). Ele nos recorda que Deus conhece o sofrimento do pobre e o atende em suas necessidades, contando, porém, conosco na árdua missão de lutar contra o egoísmo que gera a pobreza. Na sua Mensagem, o Papa Francisco destaca três atitudes que devemos tomar em favor dos pobres.

A primeira atitude é ouvir. Se não silenciarmos o coração, jamais conseguiremos escutar o apelo do irmão que está à margem da sociedade. Precisamos calar em nós os discursos demagógicos e preconceituosos, para abrir nossos ouvidos e escutar realmente o que o pobre nos quer dizer. Diz o Papa Francisco: “Necessitamos da escuta silenciosa para reconhecer a sua voz (dos pobres). Se nós falarmos demasiado, não conseguiremos escutá-los”.

A segunda atitude é responder. De que vale escutar o clamor do pobre, se for para permanecermos na omissão? Se Deus nos concedeu o dom de escutar, é porque espera de nós uma resposta. Na referida Mensagem, o Papa afirma: “O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira dispersa por todo o mundo, aos pobres de todo o gênero e de todo o lugar, a fim de não pensarem que o seu clamor caíra em saco roto” (n. 2).

A terceira atitude destacada pelo Papa Francisco, em relação aos pobres, é libertar. Primeiro a nós mesmos, do nosso próprio egoísmo. Mas precisamos libertar também os pobres, ajudando-os a se livrar dos grilhões da miséria, da exclusão e da marginalidade. Afirma ainda o Papa Francisco: “A pobreza não é procurada, mas criada pelo egoísmo, a soberba, a avidez e a injustiça: males tão antigos como o homem, mas sempre pecados são, acabando enredados neles tantos inocentes com dramáticas consequências sociais” (n. 4).

Caríssimos leitores e leitoras: é preciso lutar contra o preconceito e a desinformação em relação a tantos pobres. Ninguém sofre a pobreza porque deseja. Nas palavras do Papa Francisco: “Tende-se a criar distância entre nós e eles, não nos dando conta de que, assim, acabamos distantes do Senhor Jesus, que não os afasta mas chama-os a Si e consola-os” (n. 5). Neste 2º Dia Mundial dos Pobres não deixemos passar a oportunidade de estender as mãos uns aos outros, particularmente aos pobres, para vivermos juntos a beleza do Evangelho que nos dá esperança de um futuro melhor!

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí

DOM VICENTE COSTA


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