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Domingo de Carnaval

Miguel Haddad | 23/02/2020 | 11:27

Jundiaí, no chamado Tríduo Momesco, ou seja, nos três dias de reinado de Momo – uma tradição que vem da Roma antiga – embora não seja uma cidade que entra em frenesi como acontece em outras plagas, ainda tem um Carnaval para chamar de seu e que cresce a cada ano.

Antigamente a festa acontecia principalmente nos clubes. Isso até continua e não acabou de todo, mas o que está na ordem do dia são os blocos: animados pela criação do saudoso vereador Erazê Martinho – o Refogado do Sandi – são eles que animam as ruas no nosso Carnaval.

Hoje essa é a nova tradição de Jundiaí: desfilam pelas ruas da cidade, além do Refogado, o criativo Chupa que é de Uva – justa homenagem a um símbolo da nossa querida Jundiaí – o Afro Kekerê, seguindo a tradição da participação da comunidade negra nas coisas da cidade, pois podemos nos orgulhar de termos aqui a associação pioneira no Brasil – o Clube 28 de Setembro – na luta contra o preconceito racial. Esses blocos passam, juntamente com o Baile da Maravilha e o CarnaOeste – Basta Vir e se Divertir, um convite difícil de ser rejeitado; o Carne com Queijo, uma homenagem ao famoso bolinho do Bar do Dito, na Vila Progresso,  e tantos outros que atendem por nomes super criativos: Ponte Torta, Super Poderosa/Dona da Conta, Galo Doido, Continuamos na Nossa e os blocos do Rato, da Gossip e da Trash.

É claro que muita gente ainda aproveita o feriado para ir à praia e não faltam aqueles que são francamente contra os festejos, achando, com caturrice, que se trata de um desperdício de energia e de recursos. Com certeza ainda há problemas, mas é animador saber que os próprios blocos – como é o caso do Chupa que é de Uva, por exemplo – estão tentando resolvê-los, com atitudes como a criação de brigadas encarregadas de coletar o lixo que deixam após suas passagens.

Mas o fato é que, diante desse mundo de dificuldades, que temos de enfrentar, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, com ameaças à Democracia e ao Meio Ambiente, não resta dúvida de que é necessário um momento de séria descontração. Afinal, ninguém é de ferro.

Embora a previsão seja de chuva para a nossa região, vamos esperar que ela não afete o entusiasmo dos foliões.

Precisamos esquecer, nem que seja por um efêmero momento, do inacreditável baixíssimo nível que vem tomando conta das manifestações de algumas lideranças políticas, que têm substituído os excessos do Carnaval com seus escândalos.

MIGUEL HADDAD

é deputado federal.

 


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