Opinião

E o interesse público, como fica?


Aproxima-se o fim de mais um ano de agonia para a população brasileira. A herança da irresponsabilidade dos últimos governos - que deixou um País sem rumo, com milhões e milhões de desempregados, revertendo a tendência que vinha acontecendo da diminuição da miséria - se traduz concretamente no sofrimento e no desespero dos brasileiros que enfrentam a responsabilidade de criar uma família e colocar comida na mesa. Numa situação crítica como esta, era de se esperar que os governantes voltassem toda a sua atenção para o povo, procurando maneiras de encerrar essa terrível crise, a mais duradoura de nossa história. No entanto, o que assistimos? Ao invés de lutarem pelo que é do interesse do povo brasileiro, as lideranças que deveriam brigar para apagar o incêndio da crise se entregam abertamente à disputa de cargos, nomeações e fatias do fundo partidário, ou seja, cuidam apenas e tão somente dos seus interesses pessoais e familiares ou de seus grupos políticos. Fruto do desânimo da população com a chamada classe política, chega a parecer utopia imaginar que poderia haver um grupo de homens e mulheres eleitos por seus concidadãos para defender o interesse público que, de fato, se entregasse a essa tarefa. Não podemos concordar com essa aceitação passiva. Na verdade, posso dizer que há inúmeros exemplos do resultado da ação política, concreta, que beneficia a todos, quando se entende que política é a prática do bem comum. O interior de São Paulo é um exemplo disso. Aqui, em muitas cidades, o Brasil começou a dar certo. E foram exatamente as ações em benefício do bem comum, levadas a efeito pelo poder público, que fizeram essa diferença. Refiro-me a isso, de forma contundente, em meu livro 'Coisa de Paulista', que mostra o resultado de várias administrações, de praticamente todos os partidos - até do PT -, como ocorreu em São Carlos na época, quando os eleitos se dedicaram a encontrar soluções efetivas com planejamento de longo prazo e responsabilidade fiscal. O que fazer? O discurso que divide o povo brasileiro é o caminho contrário àquele que busca soluções. Temos de procurar nos unir, de forma madura e sensata, manifestando nosso repúdio ao fisiologismo e ao discurso de ódio e exigindo que os interesses da população sejam a prioridade de todos os governantes. Esse é o caminho e não há outro. MIGUEL HADDAD é advogado, foi deputado e prefeito de Jundiaí.    

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