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Renato Nalini: E o nosso santinho?

JOSÉ RENATO NALINI | 23/06/2019 | 07:30

Depois da beatificação do Padre Donizeti, o Vaticano comunica haver reconhecido um segundo milagre atribuído a Irmã Dulce. Ela vai ser canonizada em breve, com toda a solenidade.

Seu nome de nascimento é Maria Rita Lopes de Sousa Brito e veio ao mundo em 1914. Será a primeira brasileira, efetivamente nascida em nossa Pátria, a ocupar os altares da Igreja Católica Apostólica Romana. Já temos Santa Paulina, mas ela nasceu na Itália e foi canonizada em 2002. Irmã Dulce fará companhia a Frei Antonio de Sant’Ana Galvão, que é de Guaratinguetá e pertence a uma família ilustre, os Galvão de França. Muitos de seus parentes ainda residem no Vale do Paraíba e até em Jundiaí. Quem não conhece os “França Silveira”, de que são nomes ilustres o médico Lavoisier e a professora Lavínia?

Quem já leu livros como “O Advogado do Diabo” sabe que não é fácil ser considerado santo. Há uma investigação minuciosa, uma pesquisa aprofundada e não há presunção gratuita de santidade. Tudo muito sério.Ocorre que alguns jundiaienses tiveram a oportunidade de viver com um ser humano que tem tudo para chegar aos altares. Foi o nosso primeiro Bispo diocesano, Dom Gabriel Paulino Bueno Couto.

Ituano de nascença, tornou-se carmelita. Acometido de tuberculose, perdeu um pulmão. Mesmo assim, irradiava uma força e uma energia que só poderiam provir do infinito.

Quando foi apresentado pelo queridíssimo e saudoso Cardeal Dom Agnelo Rossi, que instalou em 1967 a Diocese de Jundiaí, foi apresentado como “o máximo de espiritualidade com um mínimo de matéria”.

Há um processo instaurado para a obtenção do reconhecimento da vida santificada de um sacerdote que passou sua existência a proclamar a bondade infinita do Pai, que exerceu a sua autoridade episcopal com amor e carinho, que pregava fervorosamente, convertendo-se em orador capaz de seduzir os que o ouviam, tamanha a fé que irradiava de sua frágil estrutura corporal.

Dom Gabriel Paulino Bueno Couto foi sepultado na cripta da Catedral Nossa Senhora do Desterro. A comunidade católica de Jundiaí precisa investir nessa conquista que tornará nosso município ainda mais abençoado, no momento em que o Sumo Pontífice vier a reconhecer que aqui viveu um santo, cujo exemplo é um legado inefável e valioso para todas as gerações subsequentes.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 


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