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Eduardo Carlos Pereira: Indignação

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 14/07/2018 | 06:00

O estado de todos que lemos o que ocorreu sobre nossa Estaçãozinha da Paulista é de indignação e revolta. “Perdemos a histórica Estação da Companhia Paulista! Uma parte da história jundiaiense, ferroviária, cafeeira, brasileira!”, foram palavras do arquiteto Pedro Taddei, que foi coordenador nacional do Programa Monumenta, do Ministério da Cultura e da Unesco. Na opinião da historiadora Paula Pestana, a Estaçãozinha deveria ser totalmente reconstruída, restaurada. “E eu ainda sou a favor da retomada do projeto do parque público e da reestruturação das áreas que pertencem ao projeto inicial”.

Dona Yeda Sandoval está indignadíssima. João Borin, historiador, Tânia Borges, advogada, e Roberto Franco Bueno, também arquiteto, nem se fala. A Regina Kalman, com diversos processos solicitando providências, continua persistente na defesa do bem. O jornalista e ativista José Arnaldo fala que os três danos seguidos na Vila Argos, no Viaduto São João e na Estação Central somam uma tragédia que pede mais atenção. A Prefeitura, através do gestor de Cultura, Marcelo Peroni, deve colocar em discussão o tema em agosto, na programação do Mês do Patrimônio que está preparando.

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Como esperar alguma atitude consistente do poder público? A prefeitura informou que foi feito um boletim de ocorrência no dia 11 de julho, apenas dois dias após o incêndio… Foi noticiado na TV Tem que a Defesa Civil aguarda o laudo final para “remover o entulho” que sobrou. São atitudes, mas não é satisfatório. Há muitos anos e diversos prefeitos vem sendo cobrado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e pela sociedade que se manifesta agora, com razão, promovendo um movimento pela restauração. É também a olhos vistos que as áreas contíguas à Estaçãozinha estão recebendo construções de invasores justamente na área que seria um parque público. Recentemente aumentou a proliferação de construções ali, sem placas, além das já estabelecidas. O panorama de “zelo” que fiscalizações inexistentes causam é triste. A defesa dos que fazem a gestão pública é de arrepiar.

A eterna justificativa é a “falta de recursos”, porém é necessário ter minimamente recursos técnicos e com autoridade de polícia para garantir o acautelamento de bens. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que é federal, disse ao jornal O Estado de S.Paulo que o imóvel da Estação Central não era mais de sua responsabilidade, tendo sido cedido para a prefeitura local. A declaração foi negada pelo setor jurídico da Prefeitura de Jundiaí, dizendo que não houve a formalização dessa cessão, como ocorreu com o, na prática, restante das antigas oficinas e administração da Companhia Paulista, que forma o Complexo Fepasa. Com longa experiência, Pedro Taddei aponta que “cachorro que tem muito dono morre de fome” e volta apontar descaso. Afinal, um bem público é da população. Todos deveríamos cobrar atitudes do poder público (municipal, estadual ou federal) para que o imóvel permanecesse conservado. Se é um imóvel histórico, fiscaliza-se e se exige a conservação.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios


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