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Eduardo Carlos Pereira: O novo e o antigo Hospital São Vicente

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 15/06/2019 | 07:30

Patrimônio Histórico não sai de pauta. Em Jundiaí o interesse nesses lugares protegidos por lei é cada vez maior. Placas indicativas dos roteiros estão espalhadas nos lugares estratégicos da cidade, além de placas individuais explicando a relevância dos edifícios inventariados pelo Conselho de Patrimônio Cultural.

O hospital São Vicente vem recebendo cuidados nas antigas fachadas e nas inúmeras ampliações, com um tratamento que até hoje não vimos naquele edifício. Não apenas externamente, mas dentro, uma ação ininterrupta de conservação, restauração e renovação, sem prejuízo da excelência do atendimento e sem prejuízo das equipes médicas e de enfermagem.

Observei esse movimento por força de uma internação. Assim pude testemunhar que mesmo nas áreas cirúrgicas as obras não param e são corretas, com resultados muito rápidos, principalmente nas recuperações de pisos, de paredes e renovações.

O hospital ganha aspecto de um lugar com tratamento novo e de eficiência, que é a de excelência dos procedimentos que atendem cerca de 23 mil pessoas por mês. Com essa importância e prestígio, os aspectos de intervenções no edifício estão à altura do que podemos esperar. Tem o compromisso de manter a antiga fachada, de 1924, da Sociedade de Mútuo Socorro Fratellanza Italiana, cujos sócios (uma elite de imigrantes bem-sucedidos na cidade) mantinham e garantiam o funcionamento do hospital.

Como seu propósito era o mesmo da Sociedade Giuseppe Garibaldi de 1906, anterior aquela, cujo princípio era o mesmo das sociedades de mútuo socorro, “como fez a Colônia que se organizou de maneira particular, com sistemas de defesa próprios, ajuda mútua, como comprovam os estatutos da Sociedade, que entre outros itens não admitia brasileiros em seu quadro de sócios, apenas italianos ou filhos de italianos. Através dessa sociedade eram decididos problemas políticos e relações com os poderes públicos” (Trecho do meu livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”, 2008 p. 55).

Diante dessa importância, o remanescente dessa fachada da antiga Sociedade Fratellanza Italiana, embora com placa indicativa, está abandonada. Sua conservação prejudicada e a visibilidade comprometida por muro. Lembro-me que na aprovação do COMPAC (Conselho Municipal do Patrimônio Cultural) para o Hospital regional, uma das solicitações era de que fosse restaurada a fachada. Isso não aconteceu. O que resta a fazer será uma nova associação que se disponha a restaurar o Bem e devolver à Praça o importante edifício que foi.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios


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