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Eduardo Carlos Pereira: Vilas ferroviárias, vilas operárias de tecelões

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 09/03/2019 | 07:30

Moradores de casas operárias tombadas pelo Condephaat em Jundiaí, contam das visitas de arquitetos que vão fazer reconhecimentos técnicos do Bem e que depois disso nada mais acontece, permanece um vazio e tudo volta ao desconhecimento sobre essas moradias. Não sabem o que é o reconhecimento do Bem e muito menos sua conservação correta. Um caso específico é de uma casa vila operária de Jundiaí que visitei. A casa é tombada e a família mora no local. Dizem eles: “Difícil! Porque ainda não tem a propriedade da casa”, sabem que tem a posse, mas não sabem o que podem e o que não podem arrumar na casa.
De fato, o morar urbano exige aprovações de obra em qualquer lugar do município. Nas Vilas Operárias não é diferente. Precisa, sim, de aprovações e do apoio técnico gratuito para orientação e preservação do Bem histórico. Par eles, infelizmente, conservar é ir à loja de materiais de construção e comprar produtos indicados pelo vendedor, geralmente porcelanato, para substituir pisos como tacos de madeiras nobres, cerâmicos São Caetano de alta resistência (que não existem mais) e ladrilhos hidráulicos. Lamentavelmente sendo trocados por materiais sempre inferiores. Os materiais originais são de altíssima qualidade e precisam ser mantidos. Desde os cacos São Caetano que eram produzidos, especialmente, como cacos (e não quebrados em obra) tal era a procura. Isso agrega um valor cultural, pois são mais interessantes e a instalação, elaborada artesanalmente, com qualidade.
Me sinto falando sozinho! Parece que acreditamos que todos sabem preservar e não é verdade. Não sabem! Quero deixar essa questão aberta. A quem eles podem recorrer? Que campanha de preservação foi feita e, sistematicamente implementada? Nenhuma! Acesso à crédito para restauração? O gerente do banco e o engenheiro talvez falem o que? Quem vai fiscalizar a “reforma”?
O Compac tem feito um trabalho de difusão de conhecimento sobre essas importantes questões de conservação e, rapidamente, formam conselheiros com opiniões consistentes e que contribuem para a preservação dos nossos Bens culturais. Agora precisa ampliar esse conhecimento. O erro crasso na Vila Fepasa foi consequência de absoluta falta de apoio e crédito para conservação do conjunto. E lá está. Descaracterizada com as últimas casas inteiras malconservadas ou em ruína. Não vale fazer nada se não houver uma base de orientações técnica para a preservação, assessoria aos proprietários ou inquilinos dos Bens tombados, acompanhamento e facilitação de acesso ao crédito. Isto não é utópico, é o mínimo!

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

MOSTRA FOTOGRAFICA JJ NOS BAIRROS NO MAXI SHOPPINGEDUARDO CARLOS PEREIRA


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