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Eduardo Pereira: A agitação da Festa da Uva continua, desde 1934

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 26/01/2019 | 07:30

A revolução constitucionalista de 1932 alimentou um período fértil da festa que foi realizada no Mercado Municipal (atual Centro das Artes). Foi um grande acontecimento. O prefeito era o Dr. Antenor Soares Gandra. Sua primeira rainha Santina Martini, que casou com José Carlos Pereira e teve dois filhos. Um é o conhecido pediatra o Dr. Pereirinha. Muito tempo depois, e com hiatos de festas, passa a ser um grande evento anual do estado de SP. Jaciro Martinasso, nas nove festas da uva que conduziu, tinha nas vinhateiras – sempre cuidadas pela Geralda Yarido grande marketing que as bonitas moças de Jundiaí (Maria da Gloria Martinasso) vestidas a caráter, sempre com cestos de uvas maravilhosos nas mãos proporcionavam. Participavam de programas da TV Tupy no canal 4, como ‘Almoço com as Estrelas’, e tantos outros programas apresentados ao vivo naquela ocasião, tudo ainda em preto e branco. Nas festas promovidas por Jaciro, sempre havia a ajuda de sua esposa, Doroti. Renato Nalini também promoveu festas da uva com muito êxito. Participei com ele da organização na montagem dos estandes e colaboração de nossos colegas arquitetos da época. Em 1968, o concurso para o cartaz da festa e da feira industrial foi disputadíssimo e o vencedor foi Diva Taddei, que surpreendeu todos os participantes pela gráfica de vanguarda. Naquele ano, foi fantástico o que a imigração japonesa, representada por famílias destacadas, apresentou! Um estande de flores que produziam e vendiam, em finíssimo acabamento e qualidade. Fazia-se fila para comprar, foi um sucesso incrível. Todo mundo saia com flores deles do pavilhão. Tenho comigo uma série de fotografias da festa da uva de 1958. São muito especiais, do fotógrafo Janczur. Mostram minha irmã Neide sentada no capô de um caminhão, vestida com uma saia imensa de uvas cobrindo toda a frente do caminhão e muito sorridente. O desfile de 1958 era feito no Centro da cidade, as famílias ficavam nos balcões para assistir dos então sobrados das ruas Barão e Rosário. E a rua também lotada pela população. A eleição da rainha daquele ano foi outro fato fantástico. O Teatro Polytheama lotado, na maioria de homens, torcidas organizadas estridentes gritando por suas candidatas. Com serpentinas e um turbilhão de vozes, inclusive lança-perfume. Todo esse alvoroço popular acabou elegendo a Yole Tozetto. Lembro que isto foi relatado detalhadamente para Lina Bo Bardi que, com um sorriso irônico e erótico, denominou o teatro como o “Teatro do Povo”. Isso acabou definindo seu projeto de restauro como um teatro moderno, dentro da tradição europeia de “Theatre Du People”. O mais bacana disso tudo é que essas festas populares fazem parte da cultura da cidade e fizeram, por anos, sua divulgação turística. Por incrível que pareça, a produção de uva aumentou e em quase tudo os números são muito maiores.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí


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