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Eduardo Pereira: A catedral de Jundiaí é nossa!

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 27/11/2018 | 07:30

Nos atuais reparos que estão sendo feitos na Catedral Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí, com a remoção das massas que estavam desprendendo das paredes, aparece uma surpresa: um artifício que era frequentemente usado nos estilos clássicos do final do século 19 e no estilo neo-clássico do início do século 20.
Neste caso, o edifício de 1651 teve sua reforma realizada por Ramos de Azevedo, comissionada pela Câmara Municipal e a família Queiroz Telles. Isso foi na década de 1870, exatamente na época em que o estilo desejado era o Gótico, o que consagram as evidências como nas alturas baixas para entrada do claustro, as ogivas e as torres contínuas voltadas para o céu. Assim foi feito e assim está.
Em 1º de novembro de 1890 Ramos de Azevedo entrega as chaves da conclusão dos trabalhos.
É importante lembrar que o engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo é considerado como um santo. Fez, além da reforma do que era a Matriz de Jundiaí, a reforma na Catedral de Campinas. Ele foi inovador nas soluções técnicas que trouxe da Europa para poder fazer essas arquiteturas estilísticas e que tinha, sim, a missão de tornar São Paulo a cara da metrópole moderna. Assim fez o Palácio da Justiça, o Teatro Municipal e a grande maioria dos prédios públicos de seu tempo em São Paulo.
A novidade é que justamente, como naquela época, foi frequente utilizar padrões de texturas que imitavam diversos materiais nos revestimentos de fachadas. Agora sabe-se que é rosa, completamente demonstrado na fachada principal do edifício. Isto caracteriza que é um finto de bloco de pedra rosa de Verona bruto, com filetes cinzas falsos para caracterizar mais ainda o volume da pedra – que é de massa.
Este movimento pela restauração rosa merece dos católicos um movimento de ajuda para as intervenções técnicas das fachadas da Catedral.
Lembro que, em Barcelona, no mesmo tempo da reforma da nossa Catedral, foi iniciada a famosa Igreja Sagrada Família por Antoní Gaudí, com a missão de ser financiada somente pelos fiéis. Isto não parou até hoje, mesmo com a morte de Gaudí, continua sendo realizado aquele ambicioso projeto financiado com arrecadação dos turistas e contribuições dos católicos.
Voltando a Ramos de Azevedo, é preciso dizer que ele monopolizou o olhar do povo para sua obra, não se pensava de outra maneira. Seus edifícios e projetos urbanísticos tinham e conseguiram desenhar a metrópole moderna. Na nossa Catedral não foi diferente.
Xiii… Meu espaço acabou. Num próximo texto conto como era a igreja antes da reforma. Até lá!

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí


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