Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Eduardo Pereira: Dia do Arquiteto e Urbanista

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 15/12/2018 | 07:30

Hoje é comemorado o dia do arquiteto e urbanista, instituído pela 8º resolução do conselho de arquitetura e urbanismo do Brasil, o CAU. A data é uma homenagem a Oscar Niemeyer, nascido em 15 de dezembro de 1907, por sua obra. No Brasil e no mundo Arquitetura é Niemeyer. Em comemoração, o CAU faz uma maciça propaganda do dia do arquiteto. Essa publicidade é falha, pois não mostra os problemas brasileiros e nada reivindica para um alerta sobre essa difícil missão que, de mãos atadas, não fazemos quase nada. Previsto na constituição, que todo brasileiro tem direito à moradia, o Brasil tem um déficit que ultrapassa 7 milhões. Arquitetos e urbanistas, quase nada podem fazer para mudar esses dados. O trabalho do arquiteto, que segundo o censo do CAU somam mais de 50 mil no estado de São Paulo, está cada vez mais longe da população e do mercado de construção. São milhares de arquitetos que não se manifestam para que seja contratado seu trabalho, necessário para a vida cidadã. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) há 75 anos organizado, luta pelo reconhecimento da importância da arquitetura e é protagonista dos arquitetos que construíram as cidades do século 20.
Em Jundiaí a presença de pioneiros foi marcante: Ariosto Milla, associado ao IAB em 1944 nº 057; Vasco Venchiaruti, associado em 1949 sob número 197; Roberto Franco Bueno, associado em 1958 nº 542; Araken Martinho, associado em 1964 nº 1084; Antônio Fernandes Panizza, em 2003 sob nº 7609; IgarFehr, em 1959, nº 598; Pedro Taddei, 1968, nº 1314; e Jamil Jonas Jones, em 1959, nº 623. Nas secretarias de obras trabalharam arquitetos que contribuíram para a qualidade da cidade formal e nos projetos de habitação social e continuam acompanhando o movimento de transformação da cidade. Todos precisam ser homenageados nesse dia. Como diz o Arq. Araken Martinho: “Arquitetos formam uma classe limpa e sempre estiveram à frente na defesa à cidade. Sempre ajudando a prefeitura”. Niemeyer traduz arquitetura em possibilidades técnicas e condições sociais. Isso é utópico, mas precisa ser defendido. As favelas não são contempladas com a prestação direta de serviços dos arquitetos. É necessária uma movimentação, no sentido de procurar formas mais eficientes para incluir nosso trabalho na vida das pessoas. Os discursos estão viciados e já não colam mais. É necessária uma nova linguagem. Arquitetos fazem a história e cuidam da história. Nos conselhos, nas prefeituras e em todas as áreas de defesa do patrimônio cultural.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/eduardo-pereira-dia-do-arquiteto-e-urbanista/
Desenvolvido por CIJUN