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Eduardo Pereira: Exu na Câmara Municipal

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 06/04/2019 | 07:30

Ações de agitação de pessoas em encontros para desfrutar música, arte e mídias. Trocas de experiências em todos os níveis do conhecimento e do avanço nas relações humanas! Isso é especial e precisa ser ampliado! Andando pela região do Teatro Polytheama, o que se vê, e já está feito, é muito potente como turismo e agito cultural. O edifício impecável da Pinacoteca Diógenes Duarte Paes é lindo e não tinha ninguém visitando neste dia. Lendo o caderno de visitantes, a confirmação! Poucas visitas com tantas coisas para usufruir. Entrando em contato com a programação da cultura vi que o Polytheama é farto de programações, já a Pinacoteca não.
“EXU nas escolas! EXU nas escolas!” Grita Elza Soares em uma recente música-manifesto. Eu de carona falo: EXU na Fernanda Milani! EXU na Diógenes Duarte Paes! Rituais de Umbanda nas ruas da esplanada da Câmara Municipal! Gritos negros das mulheres negras na Pinacoteca! E o projeto guri se apresentando misturado nessas grandes manifestações e eventos.
Uma procissão é um espetáculo que transcende a religião. É cênico. É arte! Umbandas para limpar e fazer acontecer o grande desbunde da cultura e criticar o desmanche da cultura. Vamos usar os desmanches para fazer esculturas, eventos, novas instalações e esculturas nas ruas… Não tem teatro tão bem-sucedido nas programações como o nosso Polytheama. Que nesses eventos os programas avancem para a rua e se estendam ao escadão!
Precisamos do Oficina aqui! Quando será isso, Wagner? Seria genial! Imagine misturado com as Umbandas, com os Terreiros e trabalhos das crenças e rituais afro-brasileiros. Coragem Wagner… Convocação dos Terreiros sem burocracia e preenchimento de ofícios. As restaurações das obras de arte na Diógenes Paes precisam ser públicas, são educativas, sofisticadas e precisam permitir o contato com o público. De maneira simples, isolando com fita o lugar de trabalho dos restauradores. Os cursos e movimentos no edifício serão motores de um programa que nunca mais terá volta. 8 de abril já tem programação para uma apresentação da União das Sociedades Espíritas no Polytheama. Isso já está certo. Em continuação, as Umbandas e outras manifestações Africanas precisam aparecer para que a cultura dessa potente crença se desenvolva e faça e salve a cultura da África Brasileira.
No espaço dedicado aos vereadores na Galeria da Câmara tem uma exposição fraca. A sensação é de que a Câmara não faz nada, é óbvio que não é verdade. Foi infeliz quem fez e precisa ser alterado. Aquilo macula a dignidade da câmara. Falta conteúdo. A força do entorno não combina com a exposição. É preciso estar amalgamado com tudo que está acontecendo e antenado no mundo contemporâneo das expressões e linguagens expositivas. Vereadores não tem obrigação de saber fazer exposições, mas podem mandar fazer de novo e também podem agitar o lugar. Vamos lá! Pelo menos eu vi na exposição a foto do Doca repetida pelo menos 16 vezes. Deve ser nosso vereador mais popular. Viva o Doca!

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí


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