Opinião

Eduardo Pereira: Os craques dos garis são os heróis do Carnaval


Como sempre andamos nas ruas e calçadas de Jundiaí que, além dos buracos e interferências dos postes e sinalizações para os pedestres, encontramos sempre, os descartes de produtos consumidos por estes e pelos motoristas. Isso acontece com maior volume próximo aos centros consumidores, os pontos de ônibus e nas sombras de árvores que, mesmo em áreas privadas, se tornam públicas quando avançam sobre a rua. Um senhor, juntando as embalagens e sacos jogados em frente à sua casa e em seu jardim, me disse que foi confundido com um catador, e pior, pediram para pegar mais lixo à frente. Isso, segundo Carlos Pierobon, se repete todos os dias e todas as horas esbravejando a falta de educação. É lixo de toda espécie. Vai de garrafas pets e long necks a copos plásticos ou outras embalagens plásticas. A maioria denunciando as grandes lojas de alimentação. No entorno do Maxi shopping é flagrante. Jogam de tudo! Fraldas usadas, embalagens do McDonald's, copos de toda área de alimentação - claro que com tampa e canudinho - que não deixam de se misturar com preservativos, garrafas de cerveja, vódica, catuaba e toda a sorte de diversão. Faço parte do bloco dos que, como os catadores e garis, recolhem lixo na calçada. Meu jardim de espadas de são Jorge é o esconderijo de todas essas embalagens que pelo menos DUAS vezes por semana retiro e destino ao lixo corretamente. Uma senhora que levou os remédios vencidos para a UBS da Vila Rio Branco disse: "A gente cuida, mas os outros não cuidam". A mesma senhora me contou que a filha jundiaiense mora há 6 meses no Japão e está impressionada com a limpeza nas cidades. “Lá, se jogam papel ou qualquer coisa na rua, o sujeito é multado na hora”. E completou: “a responsabilidade desse comportamento é de cada um”. A prefeitura faz sua parte e até campanhas pra que isso não aconteça, mas parece que não funciona. O mais complicado é que todo esse lixo pode ir parar nos rios, como assistimos atônitos a invasão de lixo em Salto no rio Tietê que viralizou nos jornais on-line, foi capa do Estadão e pauta do Jornal Nacional. A preocupação com esses comportamentos viciados (?) e resistentes em relação a responsabilidade do descarte de lixo corretamente ficou gritante. Com o Carnaval, a situação é tradicional. Aumentam tudo. Os descartes são parecidos, mas a eficiência da limpeza pública aparece com destaque. No cotidiano isso não acontece e acho que nem é possível. O que resolve é um convívio mais cidadão e de respeito ao ambiente e às pessoas. EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro "Núcleos Coloniais e Construções Rurais". Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos - Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí

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