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Eduardo Pereira: Ramos de Azevedo em Jundiaí e São Paulo

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 29/12/2018 | 07:30

Depois da missa do galo, onde todos tiveram de novo a oportunidade de ver a catedral de Jundiaí e, aqueles que leram meu artigo “A catedral de Jundiaí é rosa”, vai aqui as observações sobre o autor da reforma…
A evolução dentro do ecletismo se dá em relação as exigências de realizações técnicas e artísticas da arquitetura através da execução de elementos decorativos e construções impecáveis. Isso era o status dominante e necessário para a elite econômica e política e das ascensões dos imigrantes das mais diversas origens
Francisco de Paula Ramos de Azevedo (8 de dezembro de 1851 – 13 de junho de 1928), arquiteto oficial da corte paulista, é o expoente máximo dessa condição. Responsável pelo projeto de reforma da catedral de Jundiaí e pela cara das cidades no estado de São Paulo.
Sem alterar o status estilístico dominante da arquitetura no país o que se produzia moderno foi, até mesmo, confundido dentro do ecletismo como futurista, modernista, e artdeco. Nos estilismos tão bem elencados por Wolf, e suas escolas francesas belgas e italianas.
A produção dessa arquitetura estilística ao mesmo tempo distante e resistente em relação ao novo pensamento moderno vai fazer um repertório de edifícios que terão seu apogeu até a década de 1930. Essa produção de exigência técnica e execução refinada constitui um conjunto admirável de bens que contam a história da construção, da história do trabalho. História do artesão, dos artistas e das artes aplicadas.
Na casa, essa evolução é gritante nas áreas de usos funcionais: banheiros, áreas de serviço e principalmente as cozinhas.
A liberdade de criação destes projetos permitiram produções com características peculiares e sem ligações com estilos Kitsch. Algumas vezes fantásticas e outras vezes oníricas. Prato cheio para o pós-modernismo dos anos 1980, onde o estilismo foi exacerbado nos projetos ícones desse tempo protagonizados por Robert Venturi e Charles Moore.
Voltando a Ramos de Azevedo como o mágico arquiteto que fazia a arquitetura de imposição com impressionante força urbanística sobre as pessoas e edifícios públicos que marcaram a metrópole como estilo. Os cartões postais do estado de São Paulo mostravam uma arrojada capital metida a europeia, sempre e somente com seus edifícios, como o Teatro Municipal, o Mercado Municipal e a Pinacoteca.
Monopolizou o olhar do povo para sua obra, não se pensava de outra maneira. Seus edifícios e projetos urbanísticos tinham e conseguiram desenhar a metrópole moderna.
Deixou uma marca escondida pela monumentalidade de sua produção: nas áreas funcionais, no desenho industrial nas marcenarias, ferroneries, cerâmicas, folhas de flandres, fogões, pias, armários e exaustores.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí


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