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Eduardo Pereira: Um congestionamento do diabo!

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 12/01/2019 | 07:30

A volta das praias no ano novo foi marcada pelo deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas que subiram a Rodovia dos Imigrantes ainda no dia primeiro. A empresa Ecovias explica que houve “lentidão entre alguns trechos”. Não foi bem assim! 365 mil carros pararam em na estrada. O percurso de São Sebastião até o final da Rodovia dos Imigrantes no dia 2 de janeiro foi de 174 km em 9 horas.
Sou um dos que estavam lá, parado, documentando esse colapso, encoberto pelas notícias do Planalto.
O aplicativo ‘Waze’ ajudou, avisando que até as 16 horas chegaríamos em São Paulo saindo meio dia de São Lourenço. Fomos!
Assim que entramos na Rio Santos-Cubatão, já paramos! E num enorme “comboio” em fila andamos menos de 10km/h. Assim comecei a escrever essa crônica.
A cada meia hora que passávamos quase parados, o Waze aumentava o horário de chegada.
Assim foi, tudo parado! Até que um caminhão resolve andar. Conclusão: engavetamento de três carros! E nós fomos um dos ‘privilegiados’. Somente o porta-malas e o paralamas foram danificados. Além do impacto seco que recebemos, pude ler a frase escrita no caminhão: “É facio falar de mim. Dificio é faser o que fasso (sic)”
Que ano novo é esse? Até o Sem Parar parou!
Até esse ponto, às 18 horas da tarde, já havia imaginado tantas coisas, como: “Cadê a start-up que nos salvará desse transtorno que nunca passei antes? “que plano urbanístico falhou? “, “o que nós, urbanistas, não consideramos? “Diabos! Tudo sob um sol de 41°, diabático (só a química quântica explica), passando por esse roteiro do diabo de 9 horas preso num carro? Socorro! Alguém me passe o número da ouvidoria!
Pensamos em voltar à praia. Demoraria mais. E o que fazer todas essas horas presos? Não tinha um banheiro. Apertado e sem almoço, só na água, perguntamos no primeiro pedágio qual era o próximo posto que tivesse banheiro e ela gentilmente respondeu: “O Banheiro é esse da Ecovias. O senhor tem que parar naquela área”. Impossível. Quatro filas de carro para atravessar. Largamos o carro ali e fomos correndo no banheiro da Ecovias, achamos uma privada para homens e uma para mulheres. Isso para atender 365 mil veículos.
Que armadilha! Queria saber como esses 1 milhão de personagens fizeram. Chegamos as 22 horas ao destino, fui correndo ver as notícias e a pauta de todos os jornais era de Brasília. Somente as notícias do Planalto entre as boas e as ruins.
Fim do Ministério da Cultura, fim do Ministério do Trabalho. Não ouvi nada sobre infraestrutura e nada sobre esse maior congestionamento que jamais ouvi falar.
Feliz ano novo. Saúde e rivotril.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítiosé dd

Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/eduardo-pereira-um-congestionamento-do-diabo/
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