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Eginal Honorio: Por que discriminar?

EGINALDO MARCOS HONORIO | 23/11/2018 | 07:30

Se somos iguais em direitos e obrigações, por que discriminar? Segundo textos religiosos fomos criados a imagem e semelhança do Criador. Em assim sendo, por que discriminar? Considerando que já foi afastada a teoria da superioridade branca, nada justifica a manutenção dessa maldosa ideia de discriminar o outro apenas porque é diferente. Neste mês de novembro, em que se dedica a atividades relacionadas à Consciência Negra, de um lado fico feliz diante do avanço do trato do tema, posto que, não vai muito longe, nem se tocava nesse assunto e, por outro lado, vejo pessoas se manifestando de forma contrária, tentando subverter as reflexões, indagando da inexistência de “consciência branca” ou mesmo da “consciência humana”.

Traçando um comparativo – com “zilhões” de respeitos aos irmãos judeus – toda vez que se fala em “holocausto”, as mesmas pessoas que invocam “consciência humana ou branca” se mostram consternadas, enquanto que ao tratar do tema “negro” se arvoram. Já repararam nisso? Nessa mesma ordem de ideias, costumo perguntar aos contrários à “consciência negra”, em especial os não-negros, se gostariam de serem tratados tal qual os negros/as são? Enquanto essas pessoas não se colocarem no lugar dos discriminados, agirão de tal maneira. Isso é fato.

Na escala de valores, relacionada ao mercado de trabalho, as maiores vítimas dessa maldade são as mulheres, na seguinte ordem: homem branco, mulher branca, homem negro e, por último, a mulher negra. É bem assim mesmo e os desavisados, ou melhor, os “privilegiados” dizem que “somos todos iguais”. Nem na conjugação “direitos e obrigações”, posto que, a comunidade negra, tem mais obrigações que direitos. Com efeito, e, em nome da mais cristalina verdade, os brancos têm mais direitos a emprego e promoção na carreira; a tratamento de saúde; acesso a educação; e tudo o mais. Também é fato incontroverso.

Se os direitos são iguais, por que não temos – proporcionalmente – o mesmo número de negros/as na rede bancária; na direção de empresas; no alto escalão da administração pública ou privada; na televisão; no judiciário; ministério público; embaixada; defensoria pública; no parlamento. Os direitos não são iguais? Já passou da hora de eliminar essas desigualdades. E para conseguir a sonhada – e merecida – igualdade, exige mais estudo (na acepção jurídica do termo) a partir do qual se terá mais respeito ao diferente e que a cor da pele, nada mais é que adaptação ao meio, pois, por exemplo, o sangue do negro não difere do não-negro, sangrando ou doando. John Kennedy disse: “Todos nós temos talentos diferentes, mas todos nós gostaríamos de ter iguais oportunidades para desenvolver os nossos talentos”.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com[/RODAPE_OPINI]

Eginaldo Marcos Honorio


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