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Eginaldo Honorio: Agradecimentos, reflexão e sonho

EGINALDO MARCOS HONORIO | 17/08/2018 | 05:00

Tomo a liberdade, nesta oportunidade, de agradecer amplamente pelas mensagens enviadas a respeito dos textos que são publicados por esse meio de comunicação que, ao que sabemos, tem uma grande penetração. A título de exemplo, faço menção ao intitulado “Provérbio Africano”, por meio do qual apontei o percentual de afro-jundiaienses e a origem desse segmento da sociedade na construção de nossa cidade.

Ressalto que não se pretende – ou pretendeu – excluir ou menosprezar os outros imigrantes que contribuíram com a construção de Jundiaí. Todavia, a pretensão era, o que exatamente, obtive em respostas, no que pertine à realidade e reflexão em vista da incompatibilidade das informações históricas e diretamente relacionadas à ferrovia.

Eginaldo Marcos Honorio

De mesma forma se apresentam as dúvidas com relação à própria descoberta do Brasil, tomando-se por base o famoso Tratado de Tordesilhas, por meio do qual Espanha e Portugal firmaram acordo, no ano de 1492, dividindo o Brasil ao meio (metade pertenceria à Espanha e a outra a Portugal). Notem que isso se deu no ano de 1492, portanto, oito anos antes da dita descoberta por Pedro Álvares Cabral.

E daí o despertar da busca pela verdade. O Brasil teria sido descoberto mesmo no ano de 1.500? Quando aqui chegaram, encontraram os indígenas (os livros disseram isso). De onde vieram? São questionamentos que não encontram respostas rápidas e convincentes. Em razão disso é que não me convence o percentual tão reduzido de negros (22% segundo o IBGE) da população de Jundiaí e, para tanto, basta lembrar o grande número de negros da região da Vila Rio Branco, por acaso, bem próxima das oficinas da ferrovia; no Anhangabaú e na Vila Rami; somando-se a audácia dos negros em idealizar um Clube (o 28 de Setembro) no ano de 1895. Sim, sete anos após a abolição.
Se o número fosse reduzido não teriam sequer coragem para criar um clube! É só – com todo respeito – parar e pensar um pouco!

A divulgação desse percentual, a meu sentir, só tem um objetivo: limitar a entrega de políticas públicas, pois é mais interessante agir e desenvolver atividades a 78% da população que aos 22%, não é mesmo? De qualquer modo, é de se buscar a verdade. É de se respeitar e fazer respeitar a todos e todas indistintamente, enquanto seres humanos dignos de tratamento respeitoso e igualitário. Pena que isso não ocorrerá a médio ou curto prazo. Eis que exige mudanças profundas e, enquanto isso não ocorre, o Brasil perde talentos de toda ordem, mantendo a exclusão e/ou dificultando ascensão de grande parte dos integrantes da sociedade. Nesse sentido, acompanho a frase deixada por Martin Luther King: “Eu tenho um sonho, que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje”.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/eginaldo-honorio-agradecimentos-reflexao-e-sonho/
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