Opinião

Eginaldo Honório: Crise de perspectiva


Caríssimos leitores. É com elevado respeito que escrevo para esta coluna e agradeço imensamente pela acolhida,eis que, ao ser abordado, recebo também elogios de toda espécie. Além da honra dos questionamentos, sinto que estou contribuindo singelamente com o despertar do interesse sobre o tema. Eis que a grande mídia e os demais canais de difusão não tratam do tema em igualdade de condições, deixando transparecer que o interesse é manter a população distante da realidade, gerando prejuízos de toda espécie e de alta monta, provocando "Crise de Perspectiva"como disse Celso Athayde, idealizador da Central Única das Favelas. É bem verdade e factível essa crise, pois os integrantes da comunidade negra, por não se virem nos postos importantes, de mando, de imagem altiva e de bons exemplos, de serem tratados de forma igualitária e etc, causa uma barreira invisível e intransponível, fazendo com que os interessados desistam diante da elevada gama de dificuldades que se lhes impõe. Eu sou prova disso e passei a adotar que seria coisa do "destino". Após tentar inúmeras vezes concurso de ingresso na magistratura paulista (sem sucesso, por questões óbvias) decidi por tentar em outros estados (MT, GO, DF e TO) e, naquela oportunidade, fins da década de 80, estava bem preparado, mas não alcancei a média exigida (5) por um único ponto. Diante dessa barreira, não podendo fazer "turismo" na tentativa de novos concursos, acabei por desistir, tipificando destarte a chamada "crise de perspectiva". Mudanças estão surgindo e, considerando a omissão deliberada das informações relevantes e que enalteçam a autoestima e estimulem a busca por tratamento igual, se verifica que a tal crise ganha força, autorizando-me a concluir que o interesse seja exatamente esse. O Professor Cortella prega que devemos "pensar para não perecer.” Como não poderia ser diferente, ele está muito certo, haja vista que, ao dificultar o pensamento, o conhecimento, a reflexão e a comparação, faz com que não se busque a sonhada igualdade. Não bastasse a “crise de perspectiva”, os atos preconceituosos e racistas se repetem, a exemplo do imperdoável e irreparável ato praticado contra aquele cidadão negro acusado em um hospital de ter furtado um aparelho de celular. Em razão disso, foi espancado na frente da mulher que, diante dessa desenfreada violência, veio a óbito. Se naquele local não tivesse nenhum negro, qual seria a alegação da vítima? Certamente nenhuma das pessoas que lá se encontravam (brancas) seriam acusadas. Comprovado que ele não praticou tal ato, sobreveio o clássico pedido de desculpas. Desculpas? Fechando: Aos que alegam que somos iguais e que, ao insistirmos nas cobranças, configura-se como "mimimi", vai a indagação: Gostaria de ser tratado tal qual os negros são? Comendador doutor EGINALDO HONÓRIO é advogado.

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