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Eginaldo Honorio: E se fosse ao contrário?

eginaldo honorio | 22/06/2018 | 11:55

Dias atrás, participando de uma reunião com políticos locais e influentes a respeito de um ato eminentemente imprudente, questionei o autor e os que o defendiam com a frase do título acima. Acreditem. Em querendo: Silêncio sepulcral. Impressionante! É o que no mais das vezes acontece. Ato contínuo à indagação e repetindo alguns elogios enquanto à frente da Ouvidoria Municipal e outras atividades que desenvolvi junto à Prefeitura de Jundiaí, afirmei que a resposta é bastante simples: basta manter em mente a frase “Como gostaria de ser atendido?”, não se perdendo de vista ainda que quando se trata de serviço público – a meu olhar – não se trata de “servidor público”, todavia de servidor “do” público, em especial porque é ele (o público) que o remunera. Mui simples mesmo né?

RACISMO EGINALDO MARCOS HONORIO

Já escrevi aqui: “Pratique empatia”. Coloquemo-nos no lugar do outro para avaliar, com um pouco mais de fidelidade, o ocorrido ou a pretensão. O que infelizmente faltam – em muito – às pessoas é a solidariedade, respeito, compaixão, compadecimento, sinceridade e demais adjetivos. Deparamo-nos a cada dia com manifestações de compaixão etc, todavia nada se faz para minimizar eventuais situações. Basta verificar a negativa de oferta oportunidades  àqueles (as) discriminados (as). Esse comportamento está enraizado no Brasil, na medida em que não prestigiamos os Nossos.

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Ainda no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, de 18/06/18, com a presença de Ozires Silva, presidente da Embraer, Ministro da República e atual Reitor da Unimonte, trouxe passagem que se amolda ao tema de hoje, afirmando que, certa feita, em viagem a Estocolmo, ao participar de um jantar com três personalidades que indicam pessoas ao Prêmio Nobel, indagou: “Por que não temos Nobel no Brasil”? Naquele momento, o impacto foi natural e óbvio e, passados alguns minutos, um deles disse que não havia indicação de personalidades brasileiras porque “vocês destroem seus heróis”.

Pois é. Pensando um pouco mais sobre isso, o que se deixa transparecer é que a razão assiste a essa fala, ainda que tenhamos Tiradentes, Zumbi dos Palmares, João Cândido, Duque de Caxias, Lima Barreto, Mãe Menininha, Ruy Barbosa, Luiza Mahin, Lampião, Henrique Dias, Laudelina de Campos Melo e tantos outros. De um modo ou de outro, eles criaram e entregaram dignidade, respeito, vida etc. São injustificadamente desqualificados. Observem que, no mais das vezes, somos avaliados pelos erros e não pelos acertos. Esse modo de pensar acarreta a perda de referência e exacerba a exclusão de grandes e vultosos feitos e de repercussão inescondível. Por final, ao ser questionado por alguns jovens a respeito de temas dessa natureza, afirmei que, se nos aprofundarmos na história, mudaremos a história do Brasil, porque, sem qualquer sombra de dúvidas, ela está totalmente distorcida.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com

eGINALDO


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/eginaldo-honorio-e-se-fosse-ao-contrario/
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