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Eginaldo Honório: Empatia

EGINALDO MARCOS HONORIO | 13/04/2018 | 05:00

Trocando em miúdos, “empatia” nada mais é que o ato/pensamento de se colocar no lugar do outro”. Referida conduta, se praticada uma ou mais vezes – sem medo de errar -, as desigualdades, a solidariedade, o respeito, a humanização e afins passam a ter e receber outra conotação.

Venho de há muito sustentando e recomendando tal comportamento e tento colocar em prática, no meu dia-a-dia, na medida em que colocando-me no lugar do outro, viso “como gostaria de ser tratado”.

Traçando um paralelo com os temas abordados aqui, verificamos com frequência pessoas alegando que não existe racismo no Brasil e que todos vivemos em perfeita harmonia. A toda evidência tais argumentos não encontram ressonância, notadamente se umas se colocarem nos lugares de outras.

Nessa trilha, a Secretária Chefe da Casa Militar e Coordenadora da Defesa Civil, a Coronel PM Helena dos Santos Reis, ao tratar da questão racial disse: “É preciso uma ingenuidade perfeitamente obtusa ou má-fé cínica para se negar a existência do preconceito racial”. É com essa visão que muitos negam, imaginando que se assim agirem a questão não seria notada! Ledo engano. É a partir do enfrentamento que os danos são minimizados.

A professora Petronilha Gonçalves, em seu primoroso Parecer a respeito da lei 10.639/03, que obriga os ensino da história da África e Afro-brasileira, asseverou : “Convivem, no Brasil, de maneira tensa, a cultura e o padrão estético negro e africano e um padrão estético e cultural branco europeu”. É real, pois basta ver que toda vez que se toca no assunto sobrevém uma série de manifestações em sentido contrário e, no mais das vezes, por pessoas que, além de não integrarem o segmento, não praticam “empatia”.

Muita vez, nem é preciso ou se exige tanto, mas sim estar mais próximo da realidade. Costumo dizer que não há necessidade de compor o grupo de pessoas com deficiência para saber o que tem que enfrentar no dia-a-dia, mas estar mais próximo dessa realidade (gostaria de ser tratado como as pessoas com deficiência são tratadas?). Não se exige ser usuário de drogas ou ter alguém na família, mas estar mais próximo da realidade para avaliar o estrago feito e, em alguns casos, de forma irreparável. Também não precisa ser negro, para saber/experimentar os danos que sofrem, muitas vezes por ato ou fato que, para um não-negro, não é nada, como por exemplo, não se virem representados em postos de mando ou – quando são – os são em condições de risco, constrangedoras e tudo o mais. Basta perguntar: “Você gostaria de ser tratado como os negros são tratados aqui no Brasil”?

É de conhecimento geral que todo ser humano cresce fazendo uso de exemplos e, infelizmente, os exemplos envolvendo a comunidade negra invariavelmente não são os que melhoram a autoestima, talvez até por questão estratégica por medo de perda de espaços, o que não procede, haja vista que há lugar para todos e todas em igualdade de condições, sendo certo que o inverso mais destrói do que constrói.

Pratiquemos a empatia e façamo-nos pessoas melhores e um país melhor.
EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/eginaldo-honorio-empatia/
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