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Eginaldo Honorio: Eu tenho um sonho

EGINALDO MARCOS HONORIO | 04/01/2019 | 07:30

O Brasil, como costumo dizer, é muito rico. Rico em tudo que se possa imaginar, desde as riquezas naturais a malandragem, passando pela passividade do povo a unidade linguística nessa dimensão continental.
De há muito, como já dizia o sempre e saudoso Professor Adelino Brandão que, com toda sua sisudez e rigor, combateu muito o uso de palavras estrangeiras em nosso cotidiano. Verdade né? Porque (tudo entre aspas): bacon, box, check-in, delivery, free, iceberg, marketing, print, self service, W.C e por aí vai?
Muitos estranham o uso de palavras, notadamente de origem inglesa, lembrando que recebemos de outras Nações, como, por exemplo, da França: langerie; réveillon, abat-jour; da Espanha: bolero, botija, granizo; da Itália: maccherone; cicerone, mozzarella, pizza; da África: agogô, babaca, banzé, camundongo, cafofo, gandaia, moleque, quenga, samba, tamanco…
Essa profusão de expressões demonstra abertamente que vivemos em um País plural e que aceita e aceitou muitas e importantes diferenças, não se admitindo, por qualquer prisma que se olhe, tratamento diferenciado, posto que, na essência, somos todos iguais e detentores de dignidade, todavia merecemos tratamento de acordo com a condição de cada um e a seu momento. Pode parecer confuso e complexo, mas não é bem assim. Vejamos: homens e mulheres são iguais em direitos, obrigações e dignidade né? Pois bem: devem ser tratados igualmente? A resposta é não. Jovem e idoso são iguais em direitos, obrigações e dignidade? Sim. Devem ser tratados de mesma forma? Não.
É preciso viver e aprender a viver com as diferenças, até porque fazem parte do quesito chamado “equilíbrio”. O que seria do frio se existisse apenas o calor? Do claro se tudo fosse escuro? Por tal razão é de se aplicar a famosa teoria de Aristóteles sustentando: “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”.
Infelizmente uns se acham melhores que outros e no direito de excluir, eliminar, negar oportunidade em igualdade de condições, cujo comportamento dificulta sobremaneira o crescimento geral, na exata medida da desigualdade de oferta de oportunidades, reduzindo visão social, de direitos humanos e também comercial, pois que ao excluir determinados segmentos reduz o aumento da riqueza, que não soa inteligente!
Eu também tenho o sonho de um dia o fiel da balança funcionar como se deve, na exata demonstração da deusa da Justiça. Sim: aquela com os pés descalços simbolizando humildade; olhos vendados (julgamento justo sem olhar a quem); a balança em uma das mãos (representando equilíbrio) e a espada na outra mão (não só para cortar, no sentido de punir, mas também para desamarrar libertar). EU TENHO UM SONHO!

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com

Eginaldo Marcos Honorio


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