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Eginaldo Honório: Inlcuir para crescer

EGINALDO MARCOS HONORIO | 01/02/2019 | 08:30

A Constituição Federal, também chamada por “Constituição Cidadã” garante a igualdade plena em direitos e obrigações. Trata-se de cláusula pétrea (que não se pode mudar). A iniciativa é indiscutivelmente de altíssima relevância! Lamentavelmente não é o que se vê no dia a dia. A exclusão e tratamento desigual é gritante. Como sabemos, o número de mulheres é muito maior que a dos homens e, mesmo assim, não ocupam os mesmos lugares em igualdade de condições. As negras (mulheres) ocupam os piores lugares na escala de remuneração e oportunidades no mercado de trabalho, no tratamento de saúde entre outros ambientes. As mulheres negras são lembradas com destaque somente no Carnaval, onde aparecem em exibições de arte e sensuais, até com exploração do mercado do sexo. Já notaram que, passado o período do Carnaval, essas esculturas desaparecem! Já disse e recomendei nessa Coluna a prática da EMPATIA. Pois bem: recebi várias manifestações no sentido de que as pessoas se dizem empatizar com minha luta, que na real, como diz a Mestre em Filosofia Djamila Ribeiro, a luta não é minha, é de todos nós, em especial no Brasil em vista da brutal desigualdade que aqui impera. No que respeita ao tema racial e considerando a negação de oportunidade aos integrantes da Comunidade Negra lembrando que representam mais de 50% do total da população, é o mesmo que engessar metade do corpo de alguém e esperar que esse alguém caminhe. IMPOSSÍVEL né? No mínimo se arrastará, agora, quebre esse gesso e veja o que acontece, obviamente a pessoa caminhará e fará com que o País alcance patamares altíssimos. É consequência lógica! É de fundamental importância viver com a diversidade e respeitar o potencial e limitações de cada qual, o que evitará conflitos de toda ordem, até porque não existe verdade absoluta e, nesse sentido, penso que além da família, a escola exerce papel preponderante na inclusão e ensinamento do viver com o diferente sem qualquer tipo de discriminação, seja gênero, étnico, religioso, condição financeira e etc, o que lamentavelmente não ocorre, pois deparamo-nos constantemente com ofensas contra tais requisitos, posto que os professores – em sua maioria – não são preparados para isso e, no mais das vezes, são induzidos pelo material didático imposto, como também carregam consigo toda a carga de discriminação e distanciamento dos diferentes. Costumo dizer que não é necessário integrar o grupo de pessoas com deficiência para saber as dificuldades por eles enfrentadas! Também não é necessário ser mulher, negro e etc para avaliar as dificuldades e constrangimentos pelos quais são submetidos a todo o momento, mas estar mais próximos dessa realidade. Assim: a distância afasta a empatia e limita a convivência com o diferente.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com

Eginaldo Marcos Honorio


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