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Eginaldo Honorio: Mentes abertas – África

EGINALDO MARCOS HONORIO | 07/06/2019 | 07:30

Peço licença para insistir na teoria utilizada pela juíza campineira que, ao julgar pessoa de alta periculosidade, afirmou que ela (pessoa) não tinha estereotipo de bandido porque tem olhos, pele e cabelos claros. Desculpem-me, mas isso ainda me incomoda.

Muitos e muitas não aceitam com tranquilidade a condição de “negros”, certamente após ao comparar com a definição imposta nos dicionários, onde trazia como sinônimo “macabro”, “macambuzio” ; “horrendo”; “adverso”; “funesto”; “medonho” e por aí vai, ou seja, tudo que se imagina de ruim foi relacionado ao substantivo definidor da espécie humana.

Outro fator que derruba a autoestima, é o comparativo e a mídia pesada apresentando o Continente Africano em momentos de desgraças, desastres atmosféricos e pobreza extrema quando, na verdade, a África é muito rica, desde a produção de cimento, açúcar, fertilizantes de nitrogênio; com altos índices de educação, bastando lembrar que todos falam, pelo menos, duas línguas (a nativa e/ou inglês ou francês em sua maioria).

Para quem não sabe ou se atentou, o Continente Africano é o terceiro maior em extensão territorial(55 países), muito rico em petróleo, ouro, diamantes, além de mercado em abundante crescimento; o segundo em telefonia móvel; taxa de crescimento em torno de 4%; inflação em torno de 7%; interesses externos em expansão. China investiu, no ano de 2015, 60 bilhões de dólares em projetos de grande porte ligados a capacidade econômica e desenvolvimento (modernização da agricultura, intercâmbio, comércio, tecnologia…). No âmbito financeiro, é importante destacar a figura do Comendador Ferreira, empresário Jundiaiense, negro, que na condição de Presidente do New Tiger Bank, conquistou aprovação de projetos e investimentos na Guiné Bissau a razão de 24 milhões de dólares, direcionados, entre outros, a construção de uma cidade digital naquele País, em demonstração da viabilidade e perspectivas alvissareiras, assim como outras empresas que exportam para aquele Continente. É passada da hora de se menosprezar África, sustentando e enaltecendo apenas situações constrangedoras, existentes em todo o Planeta.

Totalmente dispensável insistir na alegação de superioridade de uns contra outros apenas pela tonalidade da pele e, como se sabe, a raça é única, todavia com espécies (aparências) variadas. Só isso! É inteligente olhar África e seus descendentes, sejam de que geração for, sob a alegação de que tudo que acontece com esse segmento seja de somenos importância e visualizarmos enquanto prosperidade; fonte de energia; de cultura; história humana, turismo, e etc em franca expansão, tanto que é fonte de 40% do ouro explorado no Mundo; conta com quase 70 milhões de usuários da internet; está separada da Europa por apenas 14 quilômetros; 34% da população (350 milhões de pessoas) na classe média; investimentos externos anuais na ordem de 50 bilhões de dólares, turismo crescendo a passos largos, enquanto que a mídia, sem justificativa, não apresenta essas verdades, deixando transparecer que – ao negá-la – os africanos e seus descendentes não se sintam prestigiados!

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com


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