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Eginaldo Honorio: Respeito

EGINALDO MARCOS HONORIO | 15/03/2019 | 07:30

Palavra mágica que abre portas, corações e, em alguns casos, em sua falta, até preserva os dentes.
Nesse sentido e de abrangência jurídica, vale lembrar o comando do artigo 227 da Constituição Federal, estabelecendo: “Art. 227 – É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar comunitária, além, de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência crueldade e opressão”.
Da leitura desse preceito constitucional de caráter “fundamental”, os 18 direitos apontados são até intuitivos e basilares da mais elementar regra de solidariedade e respeito ao semelhante!
Há que se respeitar as qualidades e limitações de cada qual, com destaque prioritário a relação familiar. Tive a oportunidade de expressar aqui, um pouco da minha trajetória, a partir da morte violenta de meu pai, quando eu contava com apenas 7 anos de idade e, em vista do acidente, quase o acompanhei, pois ele poderia ter caído sobre mim e o resultado seria fatal! A partir desse infausto, com tenra idade, juntamente com minha irmã mais velha fomos para o mercado de trabalho na busca de preservar meus irmãos mais novos e um mais velho (naquele período com saúde fragilizada). Minha mãe nas faxinas; minha irmã trabalho doméstico e eu, para um carroceiro na feira vendendo cebola, alho limão e etc.
Ainda em preservação aos demais, o meu irmão mais velho e eu fomos levados a um orfanato, que não recomendaria a nenhum ser humano, pois parecia protótipo da tenebrosa “febem”. No período que lá estivemos, deixou-me marcas físicas para todo o sempre.
Digo isso, porque, não raro, quando teço esses comentários ou assemelhados, os ouvintes, invariavelmente, demonstram espanto, em especial pelo fato de que, em sua grande maioria, sequer imaginam eventos dessa espécie!
Nessa trilha, no auge do dia em homenagem às mulheres, quando o tema é abordado evidenciando a forma pela qual são tratadas, o espanto aflora e arraiga toda vez que se pede para imaginar a mulher enquanto negra! A busca – como se sabe – pelo tratamento igualitário se arrasta de há muito e ao se pensar igualdade de tratamento envolvendo a mulher negra, as chances de arrasto aumenta, pois que à elas (negras) não se lhes conferem o devido e merecido RESPEITO, sem perder de vista que o BRASIL deve TUDO a elas, desde a escravidão e pós abolição.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com

Eginaldo Marcos Honorio


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