Opinião

Enfrentando o medo!

"Coragem! .. Não tenhais medo!" (Mt14,22). Estimados leitores e leitoras: nesses tempos de tanta correria e rápidas mudanças, cada um de nós é desafiado a todo instante na caminhada de sua vida. Seguramente todos nós tivemos medo de alguma situação ou de algum acontecimento. No Brasil e no mundo, são milhões de pessoas que vêm sendo pressionadas pelo medo. É elevadíssimo o número estatístico de pessoas com síndrome do pânico, que não se sentem bem em lugares fechados, altos, com muita gente, com barulho, com muito trânsito e tantas outras realidades. O medo pode afetar o nosso humor, influenciar o nosso comportamento e as relações interpessoais. Ele pode levar-nos a engavetarmos nossos sonhos, desistirmos de nossas batalhas e intimidar-nos diante de pedras ou espinhos que poderão aparecer em nosso caminho. O medo pode transformar-se numa angústia interior e profunda, levando-nos a uma sensação de vazio, de derrotismo e de vontade de viver mais. O medo pode deprimir-nos, pode aprisionar-nos em nós mesmos, isolando-nos dos nossos amigos mais queridos e até dos nossos familiares, sobretudo quando não temos a iniciativa de tentar descortinar as portas que poderão ser abertas, dando-nos uma nova perspectiva e sentido de vida. É bem verdade que, por muitas vezes, o receio de enfrentar algo novo e desconhecido nas diversas circunstâncias da vida pode transformando-se em cautela e prudência. A prudência e a segurança são atitudes boas e necessárias para a realização de nossos projetos e ideais. Mas essas atitudes precisam ser acompanhadas de outros valores, como a sensatez, o equilíbrio emocional, a razoabilidade e a perspicácia. Evidentemente que não podemos nos tornar ‘escravos’ da neurose do medo. Mas é sempre bom estarmos atentos aos prós e contras, aos ganhos e às perdas e às consequências que virão após as escolhas que fazemos e opções que assumimos. Às vezes carregamos medos da nossa infância, como, por exemplo, medo do escuro, de sons que escutamos aqui e acolá, medo de perdermos pessoas importantes em nossa vida e próximas de nós. Carregamos conosco por toda a vida, medo de doenças e, na grande maioria das vezes, sentimos medo do futuro, das surpresas da vida e não poucas vezes, sentimos até o medo da morte. O medo de modo geral nos aterroriza. Todavia, diante do medo, precisamos reagir. Como enfrentá-lo e superá-lo? Penso que três atitudes poderão nos ajudar muito. Primeiro, renovando sempre nossa confiança em Deus, que é o Senhor da nossa vida e do nosso futuro, crer no Ser Absoluto doador da vida. Segundo, precisamos não fugir e nem mascarar o medo, mas encará-lo de frente, tendo plena confiança em nossas qualidades e virtudes. E por fim, ter a humildade e a grandeza de alma, em pedir ajuda para a família e amigos de verdadeira confiança. O medo pode até nos incomodar, mas, não poderá ter a última palavra sobre nós. Por isso, uma das mais importantes decisões diante do medo é o desejo deenfrentá-lo com força e coragem, e vencê-lo! DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí [caption id="attachment_46697" align="aligncenter" width="1280"] Dom Vicente Costa[/caption]

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