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Enfrentando o medo!

DOM VICENTE COSTA | 22/09/2019 | 07:30

“Coragem! .. Não tenhais medo!” (Mt14,22).

Estimados leitores e leitoras: nesses tempos de tanta correria e rápidas mudanças, cada um de nós é desafiado a todo instante na caminhada de sua vida. Seguramente todos nós tivemos medo de alguma situação ou de algum acontecimento.

No Brasil e no mundo, são milhões de pessoas que vêm sendo pressionadas pelo medo. É elevadíssimo o número estatístico de pessoas com síndrome do pânico, que não se sentem bem em lugares fechados, altos, com muita gente, com barulho, com muito trânsito e tantas outras realidades.

O medo pode afetar o nosso humor, influenciar o nosso comportamento e as relações interpessoais. Ele pode levar-nos a engavetarmos nossos sonhos, desistirmos de nossas batalhas e intimidar-nos diante de pedras ou espinhos que poderão aparecer em nosso caminho.

O medo pode transformar-se numa angústia interior e profunda, levando-nos a uma sensação de vazio, de derrotismo e de vontade de viver mais.

O medo pode deprimir-nos, pode aprisionar-nos em nós mesmos, isolando-nos dos nossos amigos mais queridos e até dos nossos familiares, sobretudo quando não temos a iniciativa de tentar descortinar as portas que poderão ser abertas, dando-nos uma nova perspectiva e sentido de vida.

É bem verdade que, por muitas vezes, o receio de enfrentar algo novo e desconhecido nas diversas circunstâncias da vida pode transformando-se em cautela e prudência.

A prudência e a segurança são atitudes boas e necessárias para a realização de nossos projetos e ideais.

Mas essas atitudes precisam ser acompanhadas de outros valores, como a sensatez, o equilíbrio emocional, a razoabilidade e a perspicácia.

Evidentemente que não podemos nos tornar ‘escravos’ da neurose do medo. Mas é sempre bom estarmos atentos aos prós e contras, aos ganhos e às perdas e às consequências que virão após as escolhas que fazemos e opções que assumimos.

Às vezes carregamos medos da nossa infância, como, por exemplo, medo do escuro, de sons que escutamos aqui e acolá, medo de perdermos pessoas importantes em nossa vida e próximas de nós.

Carregamos conosco por toda a vida, medo de doenças e, na grande maioria das vezes, sentimos medo do futuro, das surpresas da vida e não poucas vezes, sentimos até o medo da morte.

O medo de modo geral nos aterroriza. Todavia, diante do medo, precisamos reagir.

Como enfrentá-lo e superá-lo?

Penso que três atitudes poderão nos ajudar muito.

Primeiro, renovando sempre nossa confiança em Deus, que é o Senhor da nossa vida e do nosso futuro, crer no Ser Absoluto doador da vida.

Segundo, precisamos não fugir e nem mascarar o medo, mas encará-lo de frente, tendo plena confiança em nossas qualidades e virtudes.

E por fim, ter a humildade e a grandeza de alma, em pedir ajuda para a família e amigos de verdadeira confiança.

O medo pode até nos incomodar, mas, não poderá ter a última palavra sobre nós.

Por isso, uma das mais importantes decisões diante do medo é o desejo deenfrentá-lo com força e coragem, e vencê-lo!

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí

Dom Vicente Costa


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