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Espaço do Cidadão – 03/07/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 03/07/2019 | 04:00

5 ANOS DO PLANO REAL: FHC E A LIDERANÇA DEMOCRÁTICA
O Brasil não seria, hoje, o que é sem o Plano Real. O controle da hiperinflação diretamente e, indiretamente, a estabilidade econômica e os elementos atinentes à reforma do Estado e à Lei de Responsabilidade Fiscal são frutos do plano econômico que teve na figura de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e outros aquilatados economistas seus principais atores. FHC, como sabemos, foi ministro de Itamar Franco: primeiro, das Relações Exteriores; e, depois, da Fazenda. O cenário econômico era horrível e ser nomeado ministro da Fazenda, cujo objetivo seria o controle da inflação foi, por muitos, considerado o início do fim da carreira política de FHC. Mas, ao contrário, o ministro tucano vislumbrou, conscientemente, a oportunidade de conjugar sua virtù à fortuna.

Não foram poucos os que tinham falhado na árdua, hercúlea, tarefa de controlar a hiperinflação que assolava, há tempos, o Brasil. FHC não é economista de formação e sim Cientista Social e isso, no meu entender, fez toda a diferença. Ao ser guindado à condição de ministro da Fazenda, já era político experimentado e, ainda, já havia angariado a fama de um “intelectual que liderava intelectuais”. Sua trajetória acadêmica, sua dimensão na vida pública e na carreira política são assaz conhecidas, há dezenas de obras, livros, artigos científicos, documentários e filmes sobre os atores e os fatos que desencadearam na criação do Plano Real e na eleição e reeleição de FHC como presidente do país.

O plano, em si, é considerado uma das obras primas da engenharia econômica contemporânea, pois não significou, apenas, o controle inflacionário, mas, também, a estabilidade da economia e enfrentamento das finanças públicas caóticas e do Estado patrimonialista tão arraigado em nossa sociedade. Não foi, todavia, plano perfeito. Erros estiveram presentes em sua formulação e implantação, mas, no limite, no balanço geral, o saldo foi francamente positivo. Em muitas situações, a equipe econômica esmoreceu e titubeou e de forma realista, pois a situação e a classe política poderiam colocar tudo a perder em poucas ações. Dentro do grupo, assumindo sua liderança, FHC insistiu na tese de uma “pedagogia democrática”, em tornar públicas todas as ideias e as fases do plano econômico. Assim, com paciência e o didatismo peculiar ao professor de Sociologia, FHC foi, cotidianamente, explicando aos atores políticos, aos formadores de opinião e à sociedade brasileira que o processo então em voga não levaria a nenhum choque, congelamento e, mais difícil ainda, explicar a existência da URV. E, como não poderia deixar de ser, contra as vozes oposicionistas – O PT à frente – o plano foi colocado em prática e não apenas uma moeda foi trocada, mas mudanças nas formas de pensar e agir em relação à economia e ao Estado.
Rodrigo Augusto Prando


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