Opinião

Espaço do cidadão - 03/09/2019


VOCÊ DEVOLVERIA UMA CARTEIRA REPLETA DE DINHEIRO? Um estudo sobre honestidade publicado por acadêmicos americanos e suíços atraiu a atenção social. Ao deixarem como se tivessem sido perdidas 17 mil carteiras com diferentes valores financeiros em seu interior ao redor de 355 cidades em 40 países distintos, os pesquisadores tinham como objetivo desafiar a teoria racional econômica que sugere que, não só indivíduos de forma geral teriam uma tendência a se apropriar do bem perdido, como também essa probabilidade seria maior quanto mais elevado o valor contido em seu interior. O resultado do estudo cumpriu seu objetivo. Desbancando o suposto óbvio, as pessoas tiveram uma tendência maior de devolver as carteiras aos seus donos quanto maior o valor contido no bem encontrado. Para muitos, esse comportamento pode parecer estranho e até mesmo duvidoso, mas você pode acreditar nesse resultado. O grande ponto é que para que essa pesquisa faça sentido é importante darmos uns passos atrás a fim de compreendermos melhor porque as pessoas se comportam desta maneira e quem são aqueles que optam por devolver um objeto esquecido ao invés de escolherem um "ganho fácil". Certamente não são todos os seres humanos que se encaixam neste comportamento. Alguns pensarão que o objeto que "caiu em seus colos" recheados de valor é um "presente divino" ou utilizarão a famosa frase "achado não é roubado" para embolsar os pertences de terceiros. Mas essa não é uma visão geral. De maneira ampla, o ser humano tem a tendência a querer se perceber como correto no seu dia a dia tendo a sua autopercepção de honestidade intacta e desta forma não costumam agir de maneira que fira essa identificação. Sentir-se desonesto, neste caso se apropriando de dinheiro que sabem não serem os donos, dificulta a sensação de que podem encostar a cabeça no travesseiro ao final do dia a fim de dormirem o "sono dos justos" e por essa razão evitam ficar em posse de algo que não lhes pertence. Essa é uma condição bastante comum quando falamos de dilemas éticos. E esse efeito certamente se amplia quando falamos de um valor financeiro mais elevado. De forma geral podemos ver a situação da seguinte forma: Achar uma moeda na rua e pegá-la não fere a percepção individual de honestidade da maior parte da população. O baixo valor e a cultura que temos sobre a pouca representatividade das moedas pouco interferem no julgamento moral de alguém que se apropria indevidamente deste objeto. Uma nota de dez reais já pode levar algumas pessoas a questionarem se devem ou não pegar o papel moeda. Antonio Carlos Hencsey

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